Vou ser honesto aqui, eu não pretendia que esse review, que você está lendo agora, fosse desse jogo em específico.

E não, não é porque eu tinha outra ideia de jogo ruim de luta no PS4, eu pretendia falar sobre Cruz Brothers, jogo de luta brasileiro que recentemente platinei. Mas aí aconteceu o horror de promoções. Ali, chamando minha atenção, estava um joguinho… Que comprei.

O trailer dele na PSN parecia genérico, mas até aí, tem muito indie com trailer genérico pra caramba, então não dei atenção. Foi meu primeiro erro, o segundo foi comprar o jogo. Mas enfim, contemplem, o horror que é FIGHT!. E sim, além do trailer genérico, o jogo tem um nome mais genérico ainda, provavelmente pra evitar que o público procurasse alguma informação sobre o jogo, mas enfim.

CONTEMPLEM O HORROR QUE É FIGHT.

Mentiras e mais mentiras… Literalmente

FIGHT!

Um dos parágrafos da descrição de “FIGHT!” na PSN diz: “ FIGHT! é um jogo de luta divertido e fácil de jogar um contra um, com muitos lutadores e cenas diferentes para escolher. Nenhuma luta será a mesma.” Em primeiro lugar, isso aqui foi traduzido automaticamente pelo Google (ou pela PlayStation Brasil).

Em segundo lugar, eu estou tendo mais diversão escrevendo esse review do que tive jogando o jogo, mas me adianto. “Muitos lutadores”. Até aí dá pra dar um desconto, considerando que ele tem mais lutadores do que a versão base de “Power Rangers: Battle for the Grid” e JESUS DO CÉU, “cenas diferentes”. E não, não foi culpa da tradução automática dessa vez, já que na descrição do jogo na eShop coloca lá “different fighters and scenes to choose”. Creio que nem em inglês, os cenários são chamados de cenas.

“Nenhuma luta será a mesma”. Mais uma vez, mentira, mas me adianto. E acredite se quiser, esse jogo tem uma história…

Diversos lutadores recebem uma mensagem anônima sobre a localização exata do tesouro escondido nas antigas ruínas de Saqqar (provavelmente pegaram ‘inspiração’ na cidade de Saqqara, no Egito). Enquanto os lutadores descem até as ruínas, movidos pela ganância, eles não sabem que uma armadilha vil os aguarda. O infame Draegon é o criador dessa armadilha, e ele pretende tirar a força vital dos lutadores, usando ilusões misteriosas de outros mundos para fazê-los lutar um contra o outro.

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Isso levanta uma pergunta: Pra quê Draegon quer tirar a força vital dos outros lutadores? Ele quer dominar o mundo? Arranjar uma namorada? Fazer dos lutadores seus escravos e abrir uma franquia do McDonalds pra ficar rico? Eu me perguntaria que tipo de ilusões são essas, mas estou me estendendo demais sobre um shovelware que originalmente custa 10 dólares.

A única parte “boa” do jogo é que as hitboxes funcionam

FIGHT!

FIGHT! é um jogo originalmente lançado no Switch em outubro de 2020 e portado para o Playstation 4 em novembro daquele mesmo ano. Ele é mais um dos jogos da Sabec Limited, produtora responsáveis por clássicos como “Pool”, “Air Hockey” e “Checkers”. Isso deve dar uma prévia do que esperar. Ainda estou esperando eles fazerem um jogo sobre pular cordas.

Antes de começar a falar dos motivos para você NÃO COMPRAR ESSA BOMBA, vou elogiar o jogo por uma coisa: As hitboxes do jogo… FUNCIONAM. O que é algo a se elogiar, se tratando de jogo 3D feito na Unity.

Agora, quanto ao resto… Primeiro, esse é um dos jogos de luta mais lentos que já vi, os personagens se movem na velocidade de placas tectônicas. Você tem dois botões de soco e dois botões de chute. L1 e R1 por alguma razão fazem o personagem se abaixar, e o L2, junto com o direcional pra esquerda ou direita realiza um dash curto pra frente ou pra trás.

O jogo possui quinze personagens… E todos funcionam da MESMÍSSIMA forma, não existem combos, golpes especiais, nada em particular que os diferencie, no máximo a velocidade de alguns golpes varia. Ainda mais revoltante, chutes são inúteis no jogo, já que o tempo que leva eles para sair, dá tempo do seu inimigo te dar um soco. Num jogo normal daria tempo pro inimigo encaixar um combo, mas eles não existem aqui.

E manja a história que o jogo tem? Você só sabe dela na descrição do jogo, porque não tem NADA no jogo indicando tais fatos, nem textos, nem cenas, absolutamente nenhum indicador.

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Sei que história usualmente é algo secundário num jogo de luta, mas mesmo os jogos de luta mais simplistas dos anos 80 e começo dos anos 90, conseguiam contar uma história através de suas lutas, coisa que FIGHT! não faz.

O jogo ele tem três modos de jogo, Arcade, Versus e Survival, além de um modo de treino. No Arcade você faz uma luta e é jogado de volta pra tela título. Detalhe que no Arcade, você escolhe seu adversário usando o analógico direito. Aliás, eu disse que a movimentação desse jogo usa o analógico e não o direcional digital, apesar do plano de luta do jogo ser em 2D? Pois é.

O modo versus é basicamente jogador versus jogador, e é necessário para um dos troféus do jogo (não sei porque você compraria esse lixo, mas enfim). Outro detalhe aqui, é que digamos que você seja idiota o suficiente pra comprar essa bomba e vá tort, digo, jogar ela com um amigo em casa.

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Você escolhe seu personagem, enquanto seu amigo ainda pensa em qual dos personagens com os mesmos comandos ele quer, você aperta o botão de confirmar e BAM, ENTRA NA LUTA. Sim, o botão de confirmar no versus não confirma o seu personagem, mas os DOIS personagens.

E o modo Survival você luta infinitas lutas, enquanto a dificuldade aumenta de luta pra luta. Se por aumento de dificuldade, você na verdade quer dizer, o inimigo vai gradualmente causando mais dano, porque a IA não muda o comportamento.

QUEIMA EM NOME DO SENHOR JESUS CRISTO!

FIGHT!

Essa é a frase que você irá proferir, assim que ver os gráficos desse jogo. Jesus Cristo de cascatinha, FIGHT! é um jogo feio pra burro, os modelos dos personagens parecem esculpidos em massinha… Exceto que a massinha é fezes e o escultor teve um AVC enquanto esculpia.

Os maiores ofensores são o Hiro, o lutador de sumô, Kobe, que é… Um urso, talvez? Os pelos parecem bosta, enfim, The Leech, que parece um cocozinho que ganhou vida, e decidiu colocar roupas e Draegon, que parece um cocô com capacete de Dragão.

O resto está apenas menos feio que os supracitados. Os cenários do jogo são completamente sem vida e nada de interessante acontece neles. Trazendo aqui novamente um paralelo com Cruz Brothers, em Cruz Brothers, dependendo do que acontece na luta, partes do cenário se destroem, e ainda que seja apenas cosmético, é legal de ver, aqui nada. No máximo o que acontece, são algumas gotinhas de sangue que caem no chão.

E o jogo decidiu ser escuro, justamente pra que não víssemos o quão horrendas são as faces dos personagens. Mas os cenários com claridade mostram claramente o horror, então NEM NISSO esses caras foram competentes.

E eu não quero falar sobre a trilha sonora do jogo, porque é impossível falar de algo praticamente inexistente. E os efeitos sonoros são mequetrefes e nada de memorável pode se tirar dos “uhns” que compõem as vozes do jogo.

Evite esse jogo

Eu não tenho problemas com jogos ruins, sério. O problema é quando o jogo é ruim, chato e sem nada que justifique a compra. Ok, você pode ter um 100% com facilidade, mas até aí, esse jogo custa 53,90 (UM ASSALTO), e Cruz Brothers custa 10,90 e pode ser platinado em 1 dia também. Fuja desse jogo como o diabo foge da cruz, faça o possível para evitar que outros joguem.

Como disse anteriormente, nada salva FIGHT!. Eu gastei 13 reais, me arrependo amargamente porque essas 3 horas da minha vida não irão voltar.

Se trabalhássemos com notas aqui no Arquivos do Woo, FIGHT! receberia um 0/10 tranquilamente. Essa “coisa” foi desovada para Nintendo Switch e PlayStation 4 e a análise dele foi feita com base no troço disponível na PSN.

Agora vocês vão me dar licença porque preciso tomar um banho de água do Tietê pra me limpar da podreira que foi esse jogo. Como eu vou tomar banho de água do Tietê quando eu sempre morei no Rio? Não sei, mas isso são detalhes.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.