Videogames são uma forma de arte fascinante, não? Eles são capazes de nos fazer sentir emoções e sensações diversas, como a frustração por um chefe difícil, a satisfação por descobrir como derrotar o dito chefe, a euforia de fazer um gol decisivo aos 45 do segundo tempo, a alegria de um jogo contagiante, a tristeza de perder um amigo querido depois de uma longa jornada e até mesmo deixar você excitado por conta de… Bem, jogos adultos.

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O estúdio belga Warcave é um novato, fundado em 2017 na cidade de Geel, na Bélgica, eles tinham em seu portfólio, apenas um jogo, o RTS War Party, que obteve recepção mediana perante a crítica e que tem em Black Legend, seu segundo projeto, dessa vez, descambando para o RPG.

Confira nossa opinião na crítica a seguir.

Salve a cidade dos Cultistas malucos

O jogo se passa no século dezessete, na cidade de Grant, que possui sua arquitetura baseada na dos Países Baixos (A região onde se localizam a Holanda e a Bélgica, e não o eufemismo para pinto), cidade essa que está envolta em uma névoa criada por Mephisto, um Alquimista ameaçador.

Você é um mercenário, e junto com seu grupo, precisa libertar a cidade dos cultistas que a dominaram, já que a Névoa de Mephisto enlouquece quem fica por muito tempo nela. Recrute pessoas, conheça a história dos sobreviventes, descubra a história de Mephisto e limpe a cidade da maldita névoa.

Não é o roteiro mais criativo do mundo (de fato, coisas semelhantes apareceram na série “The Incredible Adventures of Van Helsing”), mas não quer dizer necessariamente algo ruim. As coisas aqui são básicas e nem passam perto dos problemas reais do jogo.

Um bom combate… Estragado pelo resto dos problemas do jogo.

Primeiro, vamos falar do ponto positivo da jogabilidade, o combate. O combate em si lembra bastante os XCOM modernos, em certo ponto, ou os RPG’s de Estratégia. A ação ocorre em turnos, determinada pelo personagem (do jogador ou inimigo) que possui a maior agilidade e antes do mesmo começar, o jogador decide onde quer colocar os personagens do grupo.

Os personagens possuem múltiplas classes e podem equipar diversos tipos de armamento. Não apenas isso, mas o jogo possui um sistema de humor que é basicamente a chave para vencer os combates, criando combos de humor pra aumentar o dano causado, ou status que possam lhe ajudar.

Com uma estratégia em mãos e o posicionamento de seus personagens, as lutas são fáceis de pegar o jeito. E o ponto aqui é que não somente você pode usar o esquema de humores, mas os inimigos também. Então não é raro um inimigo lhe causar sangramento por bom uso de humor.

O posicionamento também é importante na hora de atacar, especialmente se você utiliza armas de combate corpo a corpo (como espadas, lanças e machados), flanquear um inimigo ou atacá-lo pelas costas, é de grande ajuda, já que o dano será maior que um ataque corpo a corpo. E assim como os humores, o inimigo também pode se utilizar desse artifício.

Importante lembrar, que você pode jogar como quiser, deixando as mortes em combate permanentes ou não, tudo depende da experiência que você quer ter.

O combate de Black Legend é gostoso, porém… A interface do jogo não é nada amigável com o jogador, os tutoriais do mesmo são apresentados de forma desinteressante e o jogo não dá a menor indicação de como de fato ficar forte, porque os níveis não significam tanto assim. Ou se significam, os tutoriais não me explicaram direito.

A câmera do jogo não é boa, tanto na navegação, quanto nos combates. Ainda que você tenha um bom controle dela, você de fato não se sente no controle.

Eu disse que o combate do jogo é bom, e é verdade, mas o ritmo do combate… Nem tanto, as lutas parecem durar para sempre. Tem um botão que acelera as animações, mas ainda assim é irritante.

Muita repetição, nada que fique marcado

Graficamente… É um jogo fraco. Sim, eu sei que é um estúdio pequeno, são apenas dez pessoas trabalhando em um jogo para quatro sistemas diferentes, mas é a verdade. A customização da sua aparência é fraca, já vi jogos da geração PlayStation 3 com criador de personagens mais robusto que o de Black Legend.

A cidade tem uma arquitetura interessante e bem feita (apesar dos gráficos fracos), e apesar da névoa disfarçar os gráficos, ela ajuda a dar o clima de mistério de Grant. Porém isso não justifica a paleta de cores retirada de Dark Souls, que deixa o jogo com um clima tedioso e deprimente.

Sonoramente, não possui composições marcantes (ao menos elas não ofendem meus ouvidos, então relevo), porém a dublagem do jogo é bem, bem pífia. Sei que eles não possuem recursos para dubladores de ponta, mas parece que escolheram as pessoas mais desinteressadas do mundo para interpretar os personagens do jogo.

Uma jornada cansativa

Abri esse texto falando sobre o mérito de videogames causarem sensações. Black Legend me causou cansaço. A cada jogatina feita para produzir esta análise, ao terminar, eu me sentia cansado, porque a atmosfera do jogo me deixou assim.

O jogo tinha potencial, mas talvez a falta de experiência do estúdio, aliado com a interface nada amigável, tenha minado as chances do jogo se destacar no gênero.

E bem, ele não chega a ser desastroso como Tormenta: O Desafio dos Deuses, mas fica difícil recomendar Black Legend, com alternativas melhores e até mesmo mais baratas no próprio PS4. Se você cavar, pode encontrar algo que o divirta, mas é possível que você acabe se frustrando como eu.

Black Legend está disponível para PC, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One.

Essa análise foi feita com base na versão de PS4, com uma cópia gentilmente cedida pela produtora.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.