Eu não sou um grande jogador de Metroidvanias, os que possuo no PS4 são poucos, e só terminei um (a não ser que você considere os Blaster Master Zero como Metroidvanias) e quanto ao PC eu não sei direito, porque é tanto jogo que tenho no Steam que perdi a conta.

A desenvolvedora Team Ladybug, apesar de recente, tem histórico de trabalhar com o gênero, com um metroidvania (Shin Megami Tensei Syncronicity Prologue) que é um advergame melhor do que tinham o direito de ser.

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Mas o que colocou a produtora nos olhos do público em geral, foi o sucesso de Touhou: Luna Nights (PC, Switch e Xbox One) em 2019. E quando foi anunciado que eles estavam desenvolvendo um metroidvania baseado em Lodoss War (Que é uma série pela qual eu tenho um carinho enorme… Apesar de que eu só assisti aos OVA’s do começo dos anos 90 e joguei um pouco do MMO), bem, eles despertaram meu interesse.

E assim como o jogo de Touhou, ele foi lançado primeiro em Early Acess, com as fases sendo adicionadas aos poucos. E no fim de março, o jogo finalmente chegou em seu estado completo.

Será que Record of Lodoss War: Deedlit in Wonder Labyrinth vale a pena seu dinheirinho?

Perdida no Labirinto de Memórias

Deedlit in Wonder Labyrinth

O jogador encarna Deedlit, a elfa que acompanha o grupo nos OVAs de Lodoss War em uma jornada confusa. Ela acorda em um local estranho, sem saber como chegou lá ou como poderá reencontrar seus amigos.

Em sua exploração, ela encontra personagens conhecidos dos fãs da série, mas os diálogos crípticos e o comportamento estranho deles, cria mais perguntas ao invés de dar respostas.

A única constante que não se comporta de maneira estranha, é a feiticeira Karla, obviamente, tentando arrumar treta porque é só isso que a personagem faz. O enredo do jogo é vítima de uma coisa que ao analisar o jogo como um todo é evidente: O jogo foi apressado. Não que tenham coisas faltando, bugs que quebrem o jogo, muito pelo contrário.

A questão é que tudo dá a impressão de que os produtores tinham planos que tiveram que ser comprometidos pelas limitações causadas pela COVID-19.

Explore, evolua e avance

Deedlit in Wonder Labyrinth

Em sua base, Deedlit in Wonder Labyrinth é um Metroidvania, então espere coisas comuns ao gênero. Derrote inimigos, suba de nível, colete armas, encontre segredos, e adquira habilidades que lhe permitirão passar de determinados trechos ou alcançar partes antes inatingíveis. Isso são coisas convenções já estabelecidas em Symphony of the Night, e o jogo aqui executa elas de maneira competente.

Em momentos do jogo, existem “puzzles” a serem resolvidos, que usualmente envolvem usar o arco e flecha para acertar mecanismos que ajudam a passar por certos trechos. Não é nada difícil encontrar a solução, é uma questão que envolve tentativa, erro e um pouco de análise do cenário.

Como diferencial, o jogo utiliza uma variação do sistema visto em SMT Syncronicity, onde ataques inimigos podem ser absorvidos dependendo da aura em que se está equipado. Existem duas auras, uma de vento e uma de fogo.

A aura de vento permite que Deedlit flutue, desde que haja chão a uma distância determinada, e a aura de fogo permite que a elfa ande na lava sem receber dano, mas mais importante, alternar entre as duas auras é essencial para a sobrevivência, já que alguns inimigos possuem ataques destes elementos, e quando equipada com a aura do elemento em questão, Deedlit irá absorver o ataque, recuperando MP.

Também existem barreiras que só podem ser atravessadas com a determinada aura (e podem ser usadas pra recarregar MP, uma constante no jogo), e no fim das contas, esse sistema de trocar de cor pra absorver o ataque lembra bastante o clássico Ikaruga (mais plataformas do que eu consigo contar), e traz um elemento fino de estratégia e reflexos para a jogatina.

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Essas auras possuem níveis, de 1 a 3 que vão determinar a força de seus ataques, e o nível das auras é aumentado matando inimigos usando a aura oposta, os inimigos liberaram cubos que aumentam uma barra (no centro superior da tela), o nível diminui conforme se leva dano e quando a barra está no nível 3, seu HP começa a se recuperar gradualmente.

A dificuldade do jogo é progressiva, mas justa. No começo, pode demorar a pegar como as batalhas contra chefes funcionam, mas depois que se aprende os padrões de ataque dos chefes, a coisa fica mais fácil. Claro, lutas posteriores como as da Pirotess (segunda luta contra ela) e do Imperador Beld são mais desafiadoras.

Porém, no fim das contas, pela mesma razão que o roteiro do jogo parece apressado, o jogo também é mais curto do que poderia ter sido. Não que a duração do jogo seja um demérito, mas como apontei na parte do roteiro, o jogo poderia ter feito mais, caso a pandemia global não tivesse ocorrido.

Em termos de performance, o jogo roda em qualquer batata, sendo super leve e aceitando até mesmo controles USB’s genéricos, na contramão de jogos que te obrigam a ter um joypad de Xbox ou Playstation pra jogá-los no PC.

Audiovisualmente” excelente

Deedlit in Wonder Labyrinth

Graficamente, Deedlit in Wonder Labyrinth é simplista, mas não minimalista. Muitas vezes, não sei se por falta de recursos, mas muitos desenvolvedores indies fazem os sprites dos jogos de maneira minimalista e clamam ser retrô.

Discordo veementemente disso, mas isso é assunto para outro dia. O que quero dizer com isso, é que os sprites do jogo são simples, mas não descambam para o minimalismo. De fato, tanto a Deedlit, quanto os NPC’s e inimigos comuns/bosses humanoides, são feitos com bastante detalhes e suas animações são muitíssimo bem feitas.

E os bosses grandes se destacam pelo tamanho descomunal e os detalhes empregados, não se destacando de maneira excessiva, mas sim pela diferença de tamanho entre a Deedlit e o Narse (O Dragão Negro que enfrentamos).

Os cenários são igualmente simplistas e detalhados. Enquanto na parte de construção do level design, temos texturas e fundo preto, os cenários são detalhados o suficiente para se diferenciarem. Ainda é um castelo labiríntico com diversas áreas diferentes, interconectadas de maneira concisa.

Sonoramente, o jogo possui uma trilha muito boa. Podem não ser as músicas do ano, mas são extremamente competentes, dando o tom de perigo, exploração e aventura do jogo. E pelo menos uma delas vai ficar na sua cabeça depois da jogatina. Garanto.

Conclusão

Record of Lodoss War: Deedlit in Wonder Labyrinth não reinventa a roda e nem precisa disso. Apegando-se a uma jogabilidade afiada, belos gráficos e uma trilha competente, é o tipo de jogo que eu recomendo sem pensar duas vezes.

O jogo está disponível para PC e pode ser comprado no Steam.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.