Alguém aí tem dúvidas de que o Sancini é burro? Acho que não, mas depois de comprar bombas como Yasai Ninja e Little Adventure in the Prairie e falhar em puzzles em Metamorphosis e 112th Seed, eu decidi em uma promoção comprar um jogo… Que era o segundo de uma série. Porque a anta aqui é burra.

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Enfim, burrice a parte, numa dessas muitas promoções da PlayStation Store (que constantemente tenta te empurrar aquele jogo bosta de Jojo’s Bizarre Adventure), adquiri Vera Blanc: Ghost in the Castle que recentemente foi lançado para Xbox One, Switch e PS4. O jogo foi produzido pelo estúdio italiano Winter Wolves (que é basicamente o programador Celso Riva + trabalho de arte externo) e lançado pela Ratalaika Games.

Busque a Verdade

Para aqueles que não jogaram o primeiro jogo: Vera Blanc: Full Moon, o jogo oferece um recap rápido dos eventos do primeiro jogo, contando o passado de Vera, como ela, filha de um caralionário chamado Emmanuel Blanc, foi diagnosticada com Câncer no Cérebro e graças a uma operação miraculosa, ela ganhou super inteligência e o incrível poder de ler a mente das pessoas. Ela não pode ler todos os pensamentos das pessoas, apenas o que elas estão pensando naquele momento em específico.

Com sua fortuna e seus incríveis novos poderes, Vera Blanc fez o que qualquer um de nós faria: Se tornou o Batman… Não, pera, ela na verdade não virou o Batman, mas querendo usar suas habilidades para o bem, ela se juntou ao detetive particular Brandon Mackey e os dois passaram a investigar casos paranormais.

Após resolverem o caso do jogo anterior, Vera e Brandom são chamados para resolver o misterioso caso de um fantasma em um castelo numa cidadezinha italiana. Lá, encontrarão pitorescos personagens, se envolverão na solução de crimes e até mesmo coisas relacionadas ao passado da cidade estarão envolvidas na trama.

Jogue Como Quiser

O jogo é uma visual novel, você sabe, jogos onde o texto lhes é apresentado e em momentos chave devem se fazer escolhas. Mas, como é de praxe nos jogos da Winter Wolves, há sempre elementos extras adicionados ao gameplay (Queen of Thieves, por exemplo, mistura Visual Novel com RPG) e aqui, elementos de puzzle são adicionados.

Mas, ao invés de simplesmente obrigar o jogador a ter que passar por seções das quais ele pode não gostar, aqui é te dada a opção de escolher, se quer jogar como uma visual novel ou com os mini games incluídos.

Os mini games de puzzle são bem simples, como por exemplo, digitar o que o personagem que se está lendo a mente pensando (como no jogo da forca), memorização de números (como no famoso Simon) ou descobrir as diferenças entre as imagens (como no popular jogo dos sete erros).

A progressão de Vera Blanc: Ghost in the Castle não é linear como costumamos ver em boa parte das Visual Novels. O progresso é feito de maneira mais ou menos semelhante com adventure point’n’click, no qual se vai a locais diferentes, conversando com pessoas diferentes, e coletando pistas e evidências que podem ajudar a investigação.

Um dos pontos fortes da investigação, é que conforme se avança e encontramos pessoas em locais diferentes, conhecemos melhor a personalidade das pessoas. Então, o garoto que parecia um afável funcionário, acaba sendo um potencial candidato a serial killer. (ainda que ele não seja).

A maneira com que o jogo lida com os problemas é bem interessante, apesar de um certo twist no final não ter me agradado tanto… Mas entendo o porque dele ter sido feito. No geral, é uma história sólida bem contada através de uma investigação.

Graficamente, uma faca de dois legumes

Vera Blanc: Ghost in the Castle

Uma das primeiras coisas que se nota, logo antes da tela título, entrega a idade real do jogo, já que apesar de rodar em 16:9, o jogo em si é em 4:3, já que originalmente, Vera Blanc foi lançado em 2010 para PC’s e a engine na qual ele foi feita (A Ren’py) na época não tornava possível fazer os jogos com resolução 16:9 (creio que o suporte a 720p veio em 2015, 2016, talvez, não lembro bem).

Isso não seria um problema, se a Ratalaika, responsável pelo porte, tivesse colocado algo nas laterais da tela, alguma arte, tal qual alguns jogos que são 4:3 em plataformas modernas fazem (Chaos Code me vem a mente).

A apresentação do jogo é um destaque, já que ao invés do clássico sprite sobre cenário, comum em visual novels, temos uma apresentação feita como se fosse uma história em quadrinhos. Os cenários na maior parte do tempo são simples e os personagens, quando mostrados em detalhes, são bem desenhados… Inclusive passei parte da minha jogatina admirando os talentos de Vera… Oooh, Vera. Entendo porque o Brandon sente atração por você.

Enfim, apesar disso, tem quadros onde detalhes não eram prioridade, e isso era refletido. Como uma experiência em quadrinhos é compreensível, mas não vai ser pra todo mundo.

Sonoramente funcional

Vera Blanc: Ghost in the Castle

A trilha sonora do jogo não chama a atenção, nenhum tema é particularmente memorável. Mas isso não quer dizer que sejam trilhas ruins, como em Tormenta ou Pixel Devil and the Broken Cartridge, jogos que analisei aqui.

As músicas combinam bem com os momentos específicos do jogo. E esse é um grande desafio pra desenvolvedores de visual novels, já que como não temos (me incluo aqui) como mostrar movimentação real, temos que contar com uma trilha que encaixe para ao menos passar o tom pretendido na cena, e as músicas do jogo ao menos conseguem cumprir sua função.

Recomendo, maaaas…

Vera Blanc: Ghost in the Castle

Se eu recomendo Vera Blanc: Ghost in the Castle? Sim. É uma visual novel que não vai te custar muito, tem um roteiro que apesar de não ser revolucionário, funciona e é uma platina/1000G fácil na sua conta. Porém, tem um problema grave, já que o jogo termina deixando ganchos abertos para uma continuação que nunca veio.

O jogo está disponível para PC, iOS, Android, PlayStation 4, Nintendo Switch e Xbox One.

Esta análise foi feita com base na versão de PS4.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.