Até onde a nostalgia é válida na hora de criar algo? A melhor decisão para um produto antigo atingir um público novo seria modernizar o conceito, ou deve-se focar no público antigo, que tem uma ligação com a experiência original?

Isso é algo que muitos desenvolvedores, sejam independentes ou AAA tem em mente na hora de criar novos jogos, sejam eles jogos oficiais de franquias famosas, ou fangames das mesmas (exceto quando se é baseado em um produto da Nintendo, porque aí a única opção é desistir antes que a Nintendo tire seu jogo do ar).

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E essa é a principal pergunta que faço, quando o assunto é Double Dragon IV. Será que ele vale seu dinheirinho, ou não passa de uma tentativa barata de capitalizar em cima do nome Double Dragon (Oi Double Dragon II: Wander of the Dragons!)?

Vamos em frente!

A Ascensão dos Renegados e a previsibilidade vilanesca

A história se passa algum tempo depois da ressurreição de Marian no fim de Double Dragon II (porque foda-se Return of Double Dragon e Double Dragon Neon, né…) e ali, Billy e Jimmy gerenciam dojos dedicados ao ensinamento do Sosetsuken, e num certo dia, os irmãos Lee se dirigem a um desses dojos e descobrem que ele foi atacado e seu amigo morrera pelas mãos da misteriosa organização Renegade (uma referência ao jogo que deu origem a Double Dragon, Renegade), inicia-se uma caça pelo país em busca da verdade. E esse mero ataque parece esconder algo mais…

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O enredo de Double Dragon IV é dividido, na prática em dois atos. As primeiras missões tem claramente o clima da cena de abertura, mas quando a “reviravolta” acontece (adivinhem só: Marian é sequestrada!), ela assume aquele velho chavão de: “Vamos resgatar a garota!”, direto e reto como todo bom Beat’Em Up que se preze.

Esses jogos não precisam de histórias complexas e cheias de camadas, mas de uma justificativa simples que nos faça ir da esquerda para direita (e as vezes da direita para a esquerda) socando malfeitores como se não houvesse amanhã.

Double Dragon II, mas com sérias restrições orçamentárias

A jogabilidade de Double Dragon IV é, sem sombra de duvidas… Uma versão CAGADA da jogabilidade do Double Dragon II de NES. Você tem 3 botões de ataque, um soco, um chute e um chute para trás, além de dois atalhos para outros golpes.

O chute para trás é essencial para fazer o Hurricane Kick, de resto, a mesma coisa que você viu em Double Dragon II, com seções beat’em up se intercalando com momentos de plataforma.

Só que a física do jogo não é como a do titulo que o inspirou. Em especial os trechos de plataforma ficaram “errados”. A dificuldade do jogo é em momentos, um tanto injusta, com inimigos cancelando seus ataques com facilidade.

Não é uma graaaaande dificuldade, é mais irritante do que difícil.

Porém, ao menos temos aqui o sistema de save, após perder os cinco créditos, é só escolher a missão quando for iniciar o jogo (ele funciona com o start do meu controle genérico), e isso dá uma facilitada monstro na hora de finalizar o mesmo.

Além do modo história, composto de 12 , ele possui o modo Duelo, num tributo ao modo de dois jogadores do primeiro Double Dragon de NES, no qual se pode jogar não apenas com Billy e Jimmy, mas com os inimigos, conforme os desbloqueamos no modo história. E após concluir o modo história abre-se o modo Torre, no qual com uma vida, subimos uma torre com diversos inimigos e assim os desbloqueamos para serem usados no modo história, garantindo um certo fator replay ainda que por diversão.

Graficamente

Double Dragon IV

Ele parece um jogo saído do NES, felizmente sem aquele flickering maldito. E isso é ao mesmo tempo familiar e preguiçoso. Preguiçoso, porque apesar de usar um visual 8 bit familiar, o uso de mais cores seria muito bem vindo pra dar uma cara mais moderna ao jogo. E dentre os novos inimigos, com exceção das Okada Sisters e da Akane (A Kunoichi inimiga), o resto deles consegue ser mais genérico que os inimigos genéricos originais do Double Dragon II.

E o jogo não consegue decidir se quer ser Double Dragon I ou II, porque apesar de se inspirar no segundo jogo, ele repete na cara dura a cena de sequestro da Marian no primeiro jogo e entre os inimigos, está Abobo (e suas variações de cor) e a versão do Double Dragon I da Linda (coexistindo com a versão do DD II que usa o moicano).

Na parte sonora, temos novamente uma crise de identidade. Primeiramente, pontos positivos, temos duas trilhas sonoras, uma com versões arranjadas e outra em 8 bits. E como eu disse no começo do parágrafo, o jogo traz musicas novas, mas mais uma vez volta lá no Double Dragon I e reaproveita temas do primeiro jogo… Mesmo o segundo tendo musicas melhores. E diabos, o jingle de fim de fase do DD I é bem “Meh” se comparado com o do II (só ver qual foi usado no Double Dragon Neon).

Conclusão

Double Dragon IV

A trilha arranjada soa ok, nada demais, mas as adições em 8 bits casam bem com as músicas antigas, e apesar da crise de identidade, então não foi tudo em vão.

Double Dragon IV poderia ter sido um excelente retro game, mas tropeça em decisões de design, som e controles que tiram o brilho do jogo. Vale numa promoção, nada mais que isso.

O game está disponível para PlayStation 4, PC, Nintendo Switch e Xbox One, review feito com base nas versões de PC e PS4.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.