Cerca de sete, quase oito anos atrás, eu me deparei com um jogo chamado Unearthed: The Trail of Ibn Battuta, que é basicamente um clone de Uncharted, com um pano de fundo árabe. Ele é vendido no Steam por 8 reais e tal. Se o jogo é bom? Não.

A única coisa que funciona são as seções de tiro, porque o combate mano a mano é uma piada e a etapa de direção do jogo tem uma das piores dirigibilidades que já vi na vida. Ele tinha potencial, mas foi desperdiçado. A proposta era de ser um jogo episódico, mas ficou naquele único episódio e só, com a produtora sequer mencionando ele em seu site oficial.

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Por quê menciono Unearthed? Bem, a produtora dele, a Semaphore Lab, localizada em Riad, na Arábia Saudita, lançou um novo jogo em Janeiro, na PSN, chamado Misk Schools Quest. E como sabem, minha experiência com jogos árabes não é lá muito boa, já que tivemos aquele horrível “The Adventures in the Little Prairie”, que é de um estúdio em Doha, no Catar e o já mencionado Unearthed que foi lançado e ficou naquilo mesmo. Mas do que se trata Misk Schools Quest?

A Rebelião das Máquinas… Ou algo do tipo

Misk Schools Quest

No ano de 3020 (A descrição da loja da PSN Brasileira diz 2030 por alguma razão), a Terra se tornou tão poluída que a humanidade construiu cidades acima das nuvens e criou robôs para ajudar em muitas tarefas do dia a dia.

Mas, devido a um misterioso vírus (tão misterioso que não sabemos quem criou, deve ter sido o pessoal do Baidu), os robôs se rebelaram contra a humanidade e é seu dever, no papel do Agente Robótico de Elite Misk 802 (porque aparentemente Enzo Gabriel não é mais um nome tão atrativo de se batizar os filhos, mas para propósitos de análise, o chamaremos no review de Enzo) reprogramar os robôs para que eles não ataquem mais as pessoas.

Olhando assim, parece que o roteiro do jogo tem um fator “uau”, mas não, não, não mesmo. O jogo mal tem algo que podemos chamar de roteiro, essa descrição de dois parágrafos que fiz é TUDO o que há de história do jogo. Sim, no passado ficávamos satisfeitos com qualquer coisa, e não que eu vá reclamar da desculpa que o jogo deu, mas… Ele pecou na hora de apresentar essa desculpa, com umas linhas de texto na introdução do jogo e uma fala numa “cena” com um jpg em baixa resolução.

O jogo funciona… Por parível que incresça.

Misk Schools Quest

A primeira coisa a se levar em consideração, é que o jogo foi feito em parceria com a Misk Schools, que é uma escola localizada em Riad, na Arábia Saudita. Dito isso, um jogo feito em conjunto com estudantes da quarta e sexta séries, deveria ser um inferno cheio de bugs, certo? Errado. Durante meu playthrough, que levou cerca de uma hora, não encontrei nada que atrapalhasse minha jogatina de forma grave, então, pontos para eles.

O jogo é um “Third Person Shooter”, com aspas porque apesar de trocar “tiros” com inimigos, nada explode e ninguém morre. Ele se divide em duas etapas, as etapas de direção, onde você tem que guiar sua moto voadora até certos portais num mapa. A dirigibilidade funciona, mas a física de colisão é inexistente, bateu, seu veículo vai pra 0 km por hora. Não incomoda, só achei engraçado de apontar.

Depois de guiar Enzo até os portais, tem as fases de tiroteio em si, que são mapas onde você deve usar sua arma laser verde curativa, atirando nos robôs até eles pararem de se mover. E quando eu digo pararem de se mover, é literalmente. O robô pode estar correndo na sua direção, mas assim que ele for curado, ele para de se mover.

A sua arma tem munição limitada, mas existem pacotes de munição nos mapas, e os próprios robôs deixam um pacote de munição cair ao serem derrotados. Cada um dos dez mapas possui uma quantidade X de inimigos, e quando faltam quatro para terminar a fase, um indicador das posições deles irá surgir na tela.

O jogo tem os comandos básicos de um jogo de tiro, R2 atira, L2 ajusta a mira, etc. Mas por alguma razão, ele também tem um botão de agachar… Que é uma coisa usualmente associada a jogos de tiro, mas que aqui no jogo, é completamente inútil, não servindo pra nada.

Os inimigos não possuem uma inteligência artificial lá muito apurada, o que eles fazem é, ao ver você, vem correndo na sua direção e começam a atacar assim que chegam em distância de ataque. De fato, o jogo é extremamente fácil e generoso com refis de energia localizados nos mapas, então você não vai ter dificuldade de vencer os inimigos.

Ê, MINHAS ROUPA NO VARAL

Misk Schools Quest

Graficamente, o jogo mostra que é um porte de jogo de celular (porque sim, ele foi lançado primeiro para dispositivos móveis) e não vai chamar sua atenção em nada. Os cenários são genéricos, e até um tanto sem vida, e o design de personagens não é memorável, o protagonista parece alguém que foi rejeitado na seleção de armaduras de Anthem (o que é uma benção disfarçada, mas divago) e os robôs tem um design igualmente genérico.

Agora, as animações do jogo… Elas me venderam o mesmo. Porque são não-intencionalmente cômicas. O Enzo tem uma animação de andar esquisita pra caramba, e os inimigos correndo, assim que te vêem ou você atira de longe? Parece que vai chover e eles esqueceram a roupa no varal, pois correm como se suas vidas (ou a integridadde das roupas) dependesse disso, o que deixa a animação deles correndo hilária.

Fora isso, não tem muito o que eu possa dizer sobre os gráficos, os cenários são genéricos, assim como os personagens.

Sonoramente, o jogo não faz feio. Claro, não tem uma trilha sonora memorável, mas a trilha ao menos passa o clima que o jogo tenta passar. O jogo não possui dublagem e os efeitos sonoros são passáveis. Nada que chame a atenção ou ofenda.

O melhor jogo árabe que já joguei, mas…

Isso não quer dizer muita coisa. Unearthed tinha potencial, mas falhou em executar a jogabilidade, e eu xinguei tudo o que tinha pra xingar em Little Adventure in the Prairie, logo, tudo o que Misk Schools Quest tinha que fazer, era não ser horrível. Não posso recomendar ele pelo preço que é cobrado na PSN Brasileira, mas pra um jogo vendido por 5 dólares, não é de todo ruim.

Misk Schools Quest está disponível para Android, iOS, Playstation 4 e Playstation 5 (através da retrocompatibilidade).

O review foi feito com base na versão de Playstation 4.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.