Aviso pré-artigo: Eu deveria ter escrito uma análise da Visual Novel “King of Bali”, que recebi de presente de um viewer do meu canal (porque a novel tava na minha lista de desejos), mas honestamente… King of Bali é uma tremenda batida de trem.

A imagem da capinha do jogo no steam te engana dizendo que algo divertido vai estar ali, mas não… Não mesmo. Primeiro, é possível terminar a novel em cerca de dez minutos. Não que isso não possa ser um mérito (de fato é possível ‘terminar’ Long Live the Queen em 2 minutos.

LEIAM – .hack//G.U. Last Recode | Resgatando clássicos da melhor maneira possível

Isso é, se você considerar terminar, as várias mortes possíveis naquele que é o Dark Souls das Visual Novels.), mas ao contrário do jogo citado nos parênteses, você experimenta o que King of Bali tem a oferecer em dez minutos.

Não vou ser implicante com os cenários meh ou sprites ok porque sei como isso é difícil de se conseguir, o que me irritou real, é um produto comercial no steam, de um gênero que se galga justamente na história (mesmo os eroges mais básicos precisam de um pouco de história ligando uma cena de sexo a outra, por exemplo, Eroge: H mo game mo kaihatsu zanmai faz isso muito bem) tem o roteiro (se é que se pode se chamar aquilo de roteiro) que parece ter sido escrito por um moleque de 15 anos na puberdade que acabou de comprar a Tyrano Builder no Steam.

As cenas são mal escritas, tanto as normais, quanto as cenas de sexo. Sim, há cenas de sexo no jogo, apesar de não ter nudez. Só que elas duram menos que a sua primeira vez e a única coisa remotamente engraçada ali é quando há o “orgasmo”, onde o gif de um vulcão em erupção surge ocupando a tela de jogo.

Só que como as cenas de sexo são curtas e o jogo pode ser terminado em menos de quinze minutos, a gag perde a graça na segunda vez. Não acredito que escrevi três parágrafos sobre essa bosta, mas o consenso é: EVITE KING OF BALI. E desculpa ter desperdiçado seu dinheiro, Chora_BR, sei que a intenção foi boa. Vamos ao artigo.

Pra quem não sabe, graças a operadora Oi, eu fiquei sem internet (e telefone) por quase um mês e meio, do período entre 26 de outubro a 5 de dezembro, A princípio, a operadora alegou manutenção, mas a data limite do fim da manutenção era esticada… E esticada… E mais esticada ainda.

Minha mãe escutou relatos de gente no bairro que estava as escuras (em termos de internet da Oi) há TRÊS MESES. Por fim, cansados de esperar pela boa vontade da Oi, contratamos um provedor de internet do bairro onde moramos…

QUE NOS OFERECEU UMA INTERNET MUITO SUPERIOR, e agora inclusive posso fazer livestreams em qualidade maior que 360p e as pessoas poderão ver os modelos em 3D dos jogos que streamo sem parecer um monte de borrões.

HOORAY!

Mas enfim, não é sobre isso que falarei no artigo. Dentre as coisas que fiz nesse período sabático, eu assisti a Kamen Rider Drive (de novo), Build (de novo) e finalmente tomei vergonha na cara e terminei de assistir Kamen Rider Wizard e Akibaranger, duas séries que tenho no HD externo há milênios.

Também aproveitei pra revisar (mais uma vez) meu primeiro livro, Paixão Destinada, que está na Amazon e agora está mais próximo do que eu queria pra ele, contando com um novo prólogo e tal. E nessa de revisar, fiz uma revisão da minha primeira Visual Novel, Wrestling & Romance, produzida entre 2016 e 2017.

Aquilo meio que reacendeu minha vontade de programar uma Visual Novel novamente, tanto que apenas por diversão, concluí a cena de um projeto parado em 2017 , utilizando outros sprites… Só que aquilo não era o suficiente… Eu queria, ou melhor, NECESSITAVA criar algo novo.

O que fazer?

Eu poderia simplesmente fazer (como indica o lado esquerdo da figura acima), continuar trabalhando em “A Goleira”, um projeto que se passa no mesmo universo de Wrestling & Romance, que seria estrelado por uma das irmãs mais novas de Nicole (a protagonista de WaR), Karen e conta a história sobre a jornada dela como jogadora de futebol.

Ou eu poderia, como o lado direito da figura indica, iniciar um novo projeto. Como o título desse artigo não é sobre “A Goleira” e sim sobre “Máscara Ômega”, sabemos qual foi minha decisão.

Você, meu leitor imaginário, deve estar se perguntando: “O que picas é Máscara Ômega?”. E eu respondo, Máscara Ômega é meu terceiro livro publicado na Amazon em setembro de 2019 e amplamente influenciado por tokusatsu (em específico, Kamen Rider), já que a ideia nasceu após eu assistir seguidamente Kamen Rider Ex-Aid e Kamen Rider Build.

E essa foi a razão pela qual decidi fazer a novel adaptando Máscara Ômega, já que basicamente o roteiro estava pronto. Só que entre a ideia e o resultado final, muita coisa mudou.

Tanto cenário quanto sprite não estão na versão final
Tanto cenário quanto sprite não estão na versão final

Teclado morto, bloco de notas e mais

Em algum dia de novembro que não lembro, mas foi logo depois de eu traduzir por diversão, algum episódio de Shinkenger, meu teclado simplesmente faleceu. E o teclado do notebook, além de ser no estilo chiclete que eu detesto, está com várias teclas defeituosas, por isso, tive que utilizar como auxílio, o teclado virtual do Windows, o que ajudou um pouco, mas ainda era muito lento.

Para não ter que perder tempo digitando os comandos da programação, eu preparei um txt com os principais comandos e suas variáveis, (como show, play, at left, with dissolve, with move e etc), assim eu não precisaria usar o teclado virtual para digitá-los (as letras L e O estavam entre as defeituosas).

Como as aspas também estavam com defeito (e elas são cruciais na programação porque é dentro das aspas é que o texto do jogo fica), eu usei o método de copiar uma sentença que já estava nas aspas e colar seguidamente, assim tendo o trabalho apenas de substituir o texto copiado pelo novo.

Como é baseado num livro que já concluí, eu não precisaria digitar… Apenas corrigir os muitos erros que deixei passar quando publiquei na Amazon.

Por fim tinha a questão dos sprites dos heróis transformados. A princípio, eu decidi usar as ilustrações que eu havia feito com o “Hero Machine” (Um site onde com alguns cliques você consegue fazer um personagem, mas infelizmente com o fim do suporte ao flash, o site pode morrer), só que eles entrariam em conflito de perspectiva com os sprites dos personagens normais, então eu tive a ideia (posteriormente) de cortar parte do sprite e ampliar ele para bater com as medidas dos sprites normais.

Eu também tive que fazer lá no Hero Machine os sprites dos monstros que aparecem no livro.

Alguns personagens tiveram mais roupas que outros. Em hindsight, isso foi causado por preguiça.

Procurando tudo, editando tudo (tá, não tudo, mas enfim)

Bem no comecinho, eu ia usar para as versões civis dos personagens, os modelos que havia criado no Hero Machine na época em que escrevi o livro. Mas descartei essa ideia porque entrariam mais uma vez em conflito com os sprites de outros personagens que apareceriam, então tive a ideia de utilizar placeholders pra poder trabalhar com tranquilidade.

Para representar Christie e Júlio, dois dos protagonistas do livro, eu resolvi usar sprites do jogo Student Transfer, e para eles usei respectivamente Irene e John, a princípio, sem fazer alteração nenhuma.

Só que a partir de um momento, aqueles sprites passaram a me incomodar, porque apesar de se parecerem fisicamente com o que imagino pros personagens, eles não tinham as características deles do livro. Christie tem cabelos loiros e Júlio tem a pele negra. Coisa que não se vê nos sprites originais.

Então, resolvi eu mesmo tomar as rédeas da situação e recolori os sprites utilizando o GIMP (ele é bom, muitíssimo mais leve que um photoshop da vida e principalmente, É FUKIN’ GRÁTIS).

Eu não sou a pessoa mais paciente do mundo para edição de imagens, porque se você reparar, tem trechos do cabelo da Christie em alguns sprites que ainda estão violeta claro, e a cor da pele de Júlio meio que invadiu partes da camisa (só aprendi a lidar melhor com isso em edições posteriores de outros sprites).

O Sprite da Christie Jovem que aparece na segunda cena do jogo, a princípio seria de um outro jogo (Ecchi Sketch), mas ele não se parecia com os sprites de Student Transfer, então eu recolori um sprite de Student Transfer pra fazer aquela cena. (Já os sprites da Christie Jovem em flashback não foram recoloridos, já que os flashbacks utilizam filtros, eu simplesmente coloquei o mesmo filtro do cenário nos sprites).

O sprite do Júlio que aparece em um flashback recebeu o mesmo tratamento, mas eu precisei ainda recolorir a pele para condizer com o personagem.

Tanto trabalho para o sprite de um personagem que aparece EM UMA FUCKING CENA

Alguns recolors que fiz não ficaram tão bons justamente pela minha inexperiência com o GIMP e a falta de paciência, mas um que me deixou orgulhoso, foi o personagem que aparece em uma única cena, já que o trabalho dele foi mais complicado que o de costume.

Eu tive que pegar o sprite e dividir ele em três partes, uma com o sprite intacto, uma só com as partes visíveis da pele do personagem e uma só com o cabelo dele. Com o cabelo pintado e o tom de pele ideal, eu juntei as três partes e fiz umas correções finais.

Por fim, nem só de recolors foi meu trabalho na edição, já que tem algumas cenas que uma personagem usa determinados tipos de roupa, só que o sprite que eu escolhi para a personagem, não tinha essas variações de roupa, então precisei na marra, melhorar minha edição de sprites.

Eu peguei o sprite da personagem, separei a cabeça do corpo no GIMP, peguei o sprite de uma outra personagem do mesmo jogo base (Student Transfer), separei a corpo de cabeça e juntei a cabeça ao corpo e pronto, nova roupa. Deu trabalho, mas a sorte é que as personagens base tinham uma estatura parecida.

Por fim, o resto de edições no departamento de sprites que tive que fazer, foi adicionar cintos a dois personagens, editar alguns sprites adicionando ferimentos, coisas menos trabalhosas.

Esse é um dos cenários de minha autoria, ou ao menos eu construí ele com base em uma foto e um cenário com fundo transparente

O Pesadelo dos Cenários

Esse, na minha opinião, foi (e ainda é) o maior problema na hora de fazer a novel. Máscara Ômega é um livro que tem cenas se passando no colégio da cidade (já que seus personagens principais estão no último ano do ensino médio), e cenários de colégio são facilmente encontráveis, só que algumas das cenas se passam em locais não convencionais, como uma pedreira (uma homenagem a clássica pedreira da Toei), o alto dessa pedreira, ruínas de um terremoto, uma academia, dentre outros que não vou descrever aqui.

E foi muito difícil conseguir cenários que se aproximassem dessas coisas que visualizei. Tive que vasculhar a internet, ver a minha biblioteca de VN’s no steam pra ver se algo se aproximava do que eu tinha em mente. Mas, com a ajuda do Pixabay, algumas fotos e cenários, consegui mais ou menos o que queria. Longe do ideal, mas deu certo.

Eu ainda tive que fazer improviso em alguns cenários, adicionando alguns efeitos a partir de texturas encontradas na internet. E um dos últimos cenários deu um trabalho pra fazer de forma mais ou menos satisfatória.

Teclado Novo: Speed Up e trilha sonora

Por fim, depois de muito me aborrecer com o teclado do notebook e o teclado virtual, adquiri um teclado novo e isso acelerou muito o desenvolvimento do jogo. Claro, eu ainda copiava e colava um comando ou outro, mas podia fazer tudo de maneira muito mais rápida.

E a falta de teclado anteriormente, junto com a tecla defeituosa, limitou os nomes de arquivos do jogo durante um bom período do desenvolvimento, já que eu não podia usar L ou O com tanta frequência.

E a trilha, a princípio eu usei algumas faixas das trilhas sonoras de Kamen Rider Gaim, Wizard, Ex-Aid e Tokumei Sentai Go-Busters. Mas nunca foi parte dos planos usá-las mesmo nas duas builds que fiz do jogo (0.2 e 0.5), a ideia delas era ter naquele momento do desenvolvimento, musicas que passassem o clima que eu queria para as cenas em questão.

Por fim, usei um mix de músicas que já tinha aqui, royalty free, como um álbum do Kazune Sawatari (compositor de alguns remixes de touhou), músicas do Kevin MacLeod (que você já deve ter ouvido em algum vídeo do youtube), N.C.H e Jake Bowkett, e músicas que peguei no site japonês DOVA-SYNDROME, que possui mais de 10000 músicas royalty free para serem utilizadas em jogos ou conteúdo em vídeo (diversas v-tubers, especialmente do hololive utilizam material do DOVA como pano de fundo, eu mesmo conheci o site graças a Korone).

Foi difícil, mas enfim, depois de dias ouvindo e reouvindo músicas, cheguei numa trilha que me deixou satisfeito. Como temas do menu principal e créditos, duas músicas cantadas, também royalty free lá do Dova-Syndrome.

A princípio, eu usaria The Awakening, da banda francesa Onlap, como tema do menu principal, mas mudei de ideia no desenvolvimento (inclusive “The Awakening” está na build 0.2).

Novidades e Considerações finais

Uma das primeiras coisas a fazer, foi criar um pouco de conteúdo novo em relação ao livro, primeiramente, na parte das escolhas, que dependendo da escolha, levam a diálogos que não existem no livro.

Outra mudança, foi em relação aos diálogos em específico relacionados a um personagem, que eu modifiquei para ter consistência em relação a continuação do livro que comecei a rascunhar.

Por fim, depois de um mês e pouco de desenvolvimento, a programação base do jogo está concluída, o que falta realmente para o jogo estar 100% concluído, é ele ter assets próprios, como sprites e cenários, por isso eu voltei a fazer streams, a fim de reunir a grana pra comissionar justamente essa parte do jogo.

Você pode baixar a build 0.2 aqui (Build Obsoleta, contém só metade da Novel)

Você pode baixar a build 0.6 aqui

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.