Jogue como um dragão

A série Yakuza começou lá em 2005, no longínquo PlayStation 2, e foi aos poucos ganhando espaço no coração das pessoas. Hoje em dia, a saga de Kiryu pode ser considerada a franquia mais popular da Sega, vendendo até mesmo mais que os jogos da série Sonic.

A série conta até 2020 com incríveis 18 jogos, sendo que sete deles são spin-offs e incríveis cinco nunca saíram no ocidente (pelo menos não até hoje).

LEIAM – Spin-offs de Yakuza |Parte 1 | Todos os que foram lançados no ocidente

É possível que com a popularidade recente da série, essa maré mude, mas por hora, vamos listá-los aqui para que você sinta o gostinho do que perdeu até hoje.

E caso você tenha perdido, a primeira parte dessa retrospectiva dos spin-offs da série pode ser lida aqui, onde listamos os games paralelos que saíram no ocidente.

Mas agora, vamos à lista dos Yakuzas que nunca deram as caras por aqui:

Yakuza

Yakuza Kenzan! (2008)

Ryu ga Gotoku Kenzan! (“Chegando Como um Dragão!”) foi o primeiro game da série lançado para PlayStation 3, e tanto a sua engine como os modelos dos personagens serviram como base para a criação de Yakuza 3, que viria a ser lançado no ocidente posteriormente.

O legal desse jogo é que os personagens dos jogos “normais” da série interpretam figuras históricas do Japão. Kiryu faz o famoso samurai Miyamoto Musashi e Majima interpreta Shishido Baiken.

Yakuza

A história nos mostra uma saga (fictícia) da vida de Musashi, que vive de forma pacata em Quioto, até que uma menininha chamada Haruka pede para que ele mate um certo homem se passando por Musashi, sem saber que está falando com o próprio samurai lendário.

O estilo de combate faz mais uso de espadas, porém as lutas corpo-a-corpo ainda estão bastante presentes. Existem diversos mini games, como cortar espantalhos, arremessar shurikens e interagir com mulheres num bordel.

Yakuza

O motivo de nunca ter sido lançado por aqui: sua localização se provaria muito difícil, pois a Sega resolveu que o primeiro game da sétima geração da série se passaria no ano de 1605, durante o início da Era Edo.

O game até hoje ainda é exclusivo do território asiático, e só saiu no PlayStation 3.

Yakuza Ishin! (2014)

Yakuza

Ryu ga Gotoku Ishin! (“Como um Dragão: Restauração!”) é um game que, para os olhos da maioria dos ocidentais, pode ser confundindo com o spin-off anterior.

Porém não se engane, Ishin! se passa em um período histórico completamente diferente do anterior, 250 anos após a história de Miyamoto Musashi, já no final da Era Edo. Como referência, esse é o mesmo período do anime Samurai X.

Aqui, a ideia de que usar os personagens da série principal como “atores” se mantém, e Kiryu dessa vez está no papel de Sakamoto Ryoma, um outro samurai lendário e histórico do Japão.

Yakuza

A história é um pouco complexa, mas de forma geral, temos Sakamoto Ryoma (Kiryu) se aliando a um homem chamado Takeshi Hanpeita, e ambos tem o plano de acabar com o sistema rígido de castas que imperava na sociedade japonesa na época.

Depois que o plano falha após um ataque surpresa que deixa seu amigo gravemente ferido (spoiler lol), Ryoma se muda para Quioto e assume outra identidade: Hajime Saito, e entra para a polícia especial Shinsengumi para investigar o autor do ataque.

Se os nomes “Hajime Saito” e “Shinsengumi” soam familiares, não é a toa. Saito é uma figura histórica também, e apareceu em muitas obras de ficção, sendo a mais conhecida por nós, o mangá Samurai X.

O curioso é que Sakamoto Ryoma e Hajime Saito eram pessoas comprovadamente diferentes, porém a Sega tomou certas liberdades no roteiro para deixar tudo mais interessante.

Os minigames aqui são mais legais que em Kenzan!, com corrida de galinhas e pescaria (também vistos em Yakuza 5), os já clássicos jogos de pôquer, koi-koi, par ou ímpar com dados e Cee-lo, sendo esses últimos fazendo parte daquela listinha dos que a gente finge que não tem no jogo por não saber jogar.

O karaokê está de volta, com banda ao vivo (não poderia ser diferente também né), mas com apenas uma música. Temos também dança tradicional no estilo DDR e cozinhar macarrão, que funciona meio que como um jogo da memória.

O verdadeiro diferencial aqui entre as atividades extras do game é o modo Another Life: tem uma pequena sidequest’s onde Ryoma decide tomar conta de uma menininha chamada Haruka (sim, ela mesma) após seus pais morrerem.

Com isso, o jogador deve basicamente viver numa fazendinha, plantando, colhendo e cozinhando, somente ao som dos pássaros e pessoas passando pela trilha de barro ao redor da casa.

Parece ser a coisa mais relaxante do mundo, não?

O motivo de nunca ter sido lançado por aqui: provavelmente o mesmo do spin-off anterior. Muita referência histórica e cultural difícil de traduzir sem que fossem feitas modificações no próprio jogo para acomodar a falta de conhecimento de nós pobres ocidentais.

O game foi feito logo após Yakuza 5, e foi lançado para PlayStation 3 e PlayStation 4. Somente na ásia, é lógico.

Kurohyō: Ryū ga Gotoku Shinshō (2010) e Kurohyō 2: Ryū ga Gotoku Ashura hen (2012)

A história do “Pantera Negra” (tradução de Kurohyo) é contada através de dois spin-offs bem diferentes da série, sendo os únicos lançados para um console portátil. No caso, o PSP.

Aqui temos como protagonista o rapaz Tatsuya Ukyo, um briguento residente na mesma Kamurocho dos jogos principais. O marginal é o estereótipo do delinquente japonês, se assemelhando a Yusuke de Yu Yu Hakusho. Após ser culpado por atacar um outro rapaz, ele larga a escola e vai morar nas ruas com seu melhor amigo e sua irmã mais velha.

Após ficar sabendo que um agiota da cidade possuía uma grande quantidade de dinheiro, ele e outros garotos invadem a casa para roubar a grana. Após um confronto, ele deixa o cara morto, sem saber que se tratava de um membro do clã Tojo (ou seja, um yakuza).

A história aqui é contada por cenas animadas em quadrinhos, do mesmo jeito que em Metal Gear Solid: Peace Walker, lançado no mesmo console.

O combate também difere no sentido de que as lutas agora são 1 contra 1, e funcionam de forma similar ao game Def Jam Fight for NY, feito pela mesma empresa que produziu esse Yakuza, a Aki Corporation.

O motivo de nunca ter sido lançado por aqui: talvez seja porque, durante a época de seu lançamento, a série Yakuza estava muito em baixa no ocidente. Além disso, o PSP não ia muito bem das pernas, também por aqui, já que seu sucesso ao fim da vida foi mesmo no Japão.

Existe um projeto antigo de tradução do primeiro Kurohyo, porém ele anda a passos de formiga e sem vontade. Ainda assim, é o único spin-off com alguma chance de ser jogado em inglês futuramente, ainda que remota.

Yakuza Online (2018)

Ryū ga Gotoku Online é a primeira empreitada para celulares da série, mas que também saiu para os PCs, somente no Japão.

O jogo aqui é bem diferente do comum para a série, porém nada diferente dos milhares de games no estilo gacha que já existem por aí.

Todos os personagens são representados por cartas, sendo divididas em rankings como Comuns, Raras, Super Raras, Super-Super Raras e Ultra Raras, e elas se enfrentam num sistema de pedra, papel e tesoura, onde cada personagem/carta possui um elemento.

Como dá pra perceber, realmente ele segue o básico do básico do gênero, porém ainda assim tenta trazer a estética da série Yakuza consigo. Os personagens são desenhados, porém mantêm o realismo dos games 3D.

Inclusive, o protagonista é o Ichiban Kasuga, que viria a ser o personagem principal de Yakuza 7. Assim, o game de celular serviu para apresentar o novo rosto aos japoneses.

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O motivo de nunca ter sido lançado por aqui: sinceramente, não sei. Existem diversos gachas que funcionam exatamente como esse jogo aqui no mercado ocidental que faturam horrores e a localização nunca foi problema.

Talvez esteja de fora porque a Sega não se apresenta forte no mercado de celulares no ocidente, vai saber.

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Assim, finalizamos a nossa retrospectiva dos spin-offs da série Yakuza!

Espero sinceramente que um dia todos (ou pelo menos alguns desses jogos) deem as caras nos consoles modernos.

Dada a popularidade recente da série no ocidente e os relançamentos de Yakuza 3, 4 e 5, não acho difícil.

Author: Tony Santos

Proto-engenheiro eletricista, amante dos bons jogos e crítico incondicional de coisas que eu não gosto.