Corridas sobre zero rodas

O gênero de corridas de nave está presente em todos os consoles desde a 4ª geração, pelo menos no formato visual que estamos acostumados. Seu início “moderno”, por assim dizer, surgiu com o primeiro F-Zero, lançado para Super Nintendo em 1990.

Com naves que deslizavam por um cenário que forçava uma perspectiva 3D, tivemos um início de um nicho dentro do gênero de games de corrida, que recebeu outras formas por outras produtoras ao longo dos anos, sendo WipeOut um dos que mais se destacou.

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WipeOut por sua vez, chegou ao Playstation e ao DOS em 1995 (e no ano seguinte para o Sega Saturn), trazendo o gênero para um verdadeiro formato 3D, mas mantendo a estética viajada e futurista, característica intrínseca ao gênero. Como diferencial, temos a trilha sonora ao estilo Techno, bem popular na Europa na época de seu lançamento, o que fez com que o game original se popularizasse bastante por lá.

Hoje em dia, já tivemos mais algumas empreitadas nas corridas de nave. Games como Redout, Antigraviator, FastRMX e BallisticNG trouxeram mais variedade ao gênero, e agora temos Pacer, chegando nos consoles atuais e PC.

O verdadeiro sucessor de WipeOut e F-Zero

Originalmente, o game se chamaria Formula Fusion (o que pra mim seria um nome bem mais legal, sinceramente) e foi desenvolvido pela R8 Games para PlayStation 4, Xbox One e PC, com lançamento programado para 29/10/20.

Sua história de produção é bem bacana também. O game foi financiado por um Kickstarter, onde a desenvolvedora conseguiu angariar mais de £79.000, o suficiente para lançar Pacer como early access na Steam e 2015, ainda sob seu antigo nome. A escolha do nome atual do game só se deu quatro anos depois, sabe-se lá o motivo.

Sua premissa é de realmente ser um sucessor espiritual da série WipeOut, já que alguns dos desenvolvedores trabalharam no terceiro jogo da série na Psygnosis Leeds em 1999. Além disso, o estúdio de design The Designers Republic, responsável pelo visual clean de WipeOut 3, também faz o mesmo com Pacer.

Características do game

Pacer oferece o que se espera de um jogo do gênero: temos o Grand Prix, que possui diversas pistas que simulam os mais diversos locais, como cidades, florestas e mais. Todas supostamente se passando em algum lugar do mundo real mas obviamente mais futurista.

O design dos percursos deixa um pouco a desejar, principalmente se compararmos com o visual de games como F-Zero X no Nintendo 64.

Obviamente temos pistas muito bem desenhadas, com rampas bem íngremes e retas onde as naves atingem velocidades vertiginosas, porém fica um gostinho de quero mais, onde a impressão geral é de que faltou só uns dois pontinhos de inspiração para que os layouts das fases fosse nota 10.

A sensação de velocidade

Pacer

Por outro lado, a sensação de velocidade é incrível. Foi usada uma versão levemente modificada da Unreal Engine 4 focada em entregar essa impressão de que os veículos estão indo mais rápido do que nossos olhos podem acompanhar.

Isso pode ser bom ou ruim, dependendo da sua habilidade ou da pista escolhida. Por vezes, algumas curvas de praticamente 90º fazem que seja praticamente impossível passar por elas sem bater.

O turbo/nitro do game se enche ao longo do tempo. Isso difere muito de games como F-Zero, onde normalmente o turbo está associado ao seu escudo. Em Pacer, o uso do turbo é mais uma questão de estratégia, onde talvez seja melhor guardar sua energia para retas ou para se recuperar de uma falha ao longo da corrida.

Armamento variado

O jogo também não se limita a direção. Temos também diversos tipos diferentes de armas, que podem ser escolhidas pelo jogador antes de cada corrida.

Elas funcionam como num Mario Kart da vida: umas servem para atrasar os adversários e outras para se defender, porém na pista mesmo o jogador só pode pegar o armamento que escolheu antes da corrida, escudos de proteção ou turbos. Seus ícones por sua vez, possuem um design muito simplificado, tornando até um pouco difícil de entender o que cada um faz.

Isso me lembrou vagamente Blur, um game de corrida para o Playstation 3, onde os ícones das armas eram quase como arte abstrata. Aqui em Pacer sofremos o mesmo problema desse jogo da geração passada: o jogador acaba demorando um pouco pra entender o que cada item faz e isso atrasa levemente o aprendizado.

Um pequeno detalhe, eu sei. Porém caberia aqui uma possível melhora em futuras atualizações.

PACER
Não facilita também a customização até um pouco exagerada do armamento e das naves.

Temos um slot de arma pra cada lado da nave, onde cada um também possui dois slots de mods. Já a dirigibilidade fica sujeita à modificação de status como Motor, Manuseio, Frenagem, Antigravidade e Defesa.

Todos esses status podem ser salvos como configurações definidas pelo jogador, e é um pouco complicado e acredito eu até inútil ficar tentando customizar demais o veículo aqui, pois são mudanças estratégicas que surtem pouco efeito em corridas que duram menos de 4 minutos. A dica é: pegue a arma que mais lhe agradar e vá jogar sem pensar muito nisso, pois dificilmente a escolha do arsenal será o motivo de alguma derrota.

Isso me lembrou vagamente Blur, um game de corrida para o Playstation 3, onde os ícones das armas eram quase como arte abstrata. Aqui em Pacer sofremos o mesmo problema desse jogo da geração passada: o jogador acaba demorando um pouco pra entender o que cada item faz e isso atrasa levemente o aprendizado.

Um pequeno detalhe, eu sei. Porém caberia aqui uma possível melhora em futuras atualizações.

Trilha sonora tunts-tunts-tunts

Em relação a trilha sonora, temos excelentes músicas ao estilo Techno, que saem um pouco das batidas genéricas do gênero e possuem maior variedade de instrumentos.

Ainda que não deixem a desejar, infelizmente não se destacam tanto quando empregadas nesse jogo em particular, funcionando melhor quando são ouvidas no YouTube ou em seu player de música favorito.

PACER
Conclusão

Com diversas pistas, jogabilidade que demora um pouco pra aprender mas que compensa ao jogador por se dedicar, itens desbloqueáveis com progresso do jogo (como peças, adesivos para as naves, etc) e até mesmo tradução em português brasileiro, Pacer é um clássico moderno do gênero/nicho de jogos de corridas com naves.

Sua ambição foi grande para um jogo quase que indie, o que o coloca no que é chamado atualmente de Triple-I (Indie Indie Indie?!). Ser o verdadeiro sucessor de gigantes como F-Zero e WipeOut não é fácil e praticamente ninguém conseguiu marcar seu nome embaixo desse troféu, mas esse jogo tem todo o potencial para ser lembrado por isso.

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Esta análise foi feita com uma cópia do game para PlayStation 4, cedida pela produtora.

Author: Tony Santos

Proto-engenheiro eletricista, amante dos bons jogos e crítico incondicional de coisas que eu não gosto.