Curiosamente, Kingdoms of Amalur: Reckoning e a THQ tem muito em comum, mesmo antes da THQ Nordic adquirir a ip para o relançamento.

Num passado muito distante, quando eu era um jovem mancebo, a THQ era responsável pelas versões 16-bit das séries da EA, como FIFA, NHL e NBA Live, e também foi a Electronic Arts que foi a publisher da versão original de Kingdoms of Amalur: Reckoning.

E, assim como a THQ foi pro vinagre depois de diversas decisões erradas na geração passada (como aquele tablet que foi um fiasco imenso), Kingdoms of Amalur: Reckoning não foi um sucesso comercial.

LEIAM – DARKSIDERs Genesis | Uma Jornada de Conflito

Sim, o jogo foi relativamente bem recebido pela crítica, mas não vendeu muito bem e o estúdio responsável pelo jogo (38 Studios) sofreu um revés absurdo no processo, impossibilitando que o jogo se tornasse uma franquia.

No saldão da THQ, o nome da mesma e muitas das IP’s (como Darksiders) foram adquiridas pela publisher austríaca Nordic, que aproveitando do nome maior da THQ, se rebatizou como THQ Nordic

Aliás, vocês sabiam que a THQ foi fundada pelo criador da LJN?

Pois é, desiludido com o foco da LJN em jogos (originalmente era uma empresa que produzia brinquedos, como algumas action figures da WWF nos anos 80), ele saiu da empresa e criou a THQ, que significa Toy Head Quarters

Que depois de um tempo TAMBÉM passou a focar em jogos ao invés de brinquedos, o que fez o criador da THQ deixar a empresa e fundar a Jakks Pacific.

Enfim, lições de história a parte, em 2018, a THQ adquiriu a IP e os assets do jogo e em junho deste ano, foi revelado que Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning chegaria em setembro para a atual geração de consoles e para os PC’s. Mas será que o jogo merece uma segunda chance? Ou ele deve ser ignorado, tal qual foi em sua primeira versão?

Forje seu Destino

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning

Em uma Terra ainda em guerra, você é um guerreiro que falecera, mas graças a um ritual executado por uns anões cabulosos no poço das almas, sua alma voltou dos mortos e você está vivo novamente.

Não apenas isso, mas em um mundo onde a maioria das pessoas acredita piamente que o Destino está selado, você descobre que não possui um.

Claro, que nada é preto no branco, e até chegar ao ponto em que devemos SALVAR O MUNDO, existem outros milhares de problemas que podem ou não se entrelaçar.

LEIAM – O que a aquisição da Bethesda pela Microsoft pode significar pro futuro da mesma

O fato é que o mundo de Kingdoms of Amalur é imenso, talvez não no escopo de um Skyrim, mas é um mundo gigante e salvar o mundo nem sempre é a parte mais divertida da jornada.

O mundo criado aqui é bastante credível, com raças diferentes convivendo de maneira mais ou menos harmônica. Digo mais ou menos, porque muitas vezes as relações podem ser frágeis e um movimento errado pode dar início a uma merda em proporções bíblicas.

Cuidado para não se perder

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning

Você pode escolher entre quatro raças e dois sexos, tal qual no original. Cada raça dá bônus em determinados atributos (força, agilidade, stealth, etc), mas você NÃO ESTÁ preso a elas.

Por exemplo, minha Elfa Negra (esse é o equivalente da raça da minha personagem) seria uma ótima ladra que utiliza duas lâminas curtas e é sorrateira, só que eu, conforme fui upando no jogo, coloquei o foco na força e a personagem é habilidosa com espadas longas e espadas FUCKING ENORMES.

Mais uma vez, forjando o destino, sacou?

O problema, é que é muito fácil se perder nas telas de Level Up, com upgrades baseados em habilidades ativas e passivas. Você pode dar foco em habilidades de negociação (ótimas para persuadir NPC’s e evitar batalhas desnecessárias), ou focar em descontos nas lojas, e as árvores de atributos são complexas, além dos “destinos” (conjuntos extras de atributos que podem ser escolhidos e alterados a qualquer momento, dependendo dos seus status). Então é recomendado que você pare um pouco, quando for upar e veja o que quer fazer, com paciência.

Em termos de jogabilidade, Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning é bastante simples. Um botão pra arma primária, outro pra secundária, corrida, esquiva e defesa sendo bastante fáceis de aprender.

Claro, existem magias, usadas com um dos gatilhos e um botão de face. As magias podem ser aprendidas conforme se vai ganhando níveis e alocando pontos para habilitar as mesmas.

Muitas armas, mesmo!

O jogo possui uma variedade de armas enorme, cabendo ao jogador escolher um estilo que lhe apeteça, pois armas pesadas, como martelos, causam um bom dano, mas são lentas, enquanto que armas pequenas como adagas não causam muito dano, mas são ótimas para ataques em sucessão, ou furtividade.

Algumas armas que você adquire possuem atributos elementares, que podem dar vantagem ou desvantagem. Por exemplo, um martelo com o atributo de eletricidade não vai causar tanto dano a um Golem de Pedra, quanto um martelo sem esse atributo. E espadas com o atributo de fogo causam mais dano a inimigos de madeira.

E ainda é possível customizar as armas sem atributos, através da alquimia, embora sendo honesto, eu não usei a alquimia na minha jogatina. Talvez eu precise, talvez não.

O jogo possui uma gama de missões enormes pro jogador fazer, dando liberdade ao jogador fazê-las na ordem que quiser (com exceção da história principal, claro). Mas não é recomendado você ignorar tudo porque hora ou outra, vai chegar num trechos com inimigos que vão ser mais duros de matar do que deveriam.

O combate funciona de maneira ok, claro, alguns inimigos vão se mostrar chatos pra carai, mas nada que uma boa esquiva, ou mesmo o uso do escudo (coisa que esqueci 96,75% das vezes) resolva, com as batalhas contra chefes sendo um pouco mais difíceis por conta das habilidades dos mesmos.

LEIAM – Sword and Fairy 6 | Catástrofe em forma de RPG

Mas, o jogador também possui alguns outros truques na manga. Conforme se executa combos, uma barra roxa (de Destino) vai se enchendo e quando ela estiver cheia, ao pressionar os dois gatilhos do controle, o personagem entrará no modo Reckoning, onde os inimigos estarão em câmera lenta e seus golpes causarão mais dano.

Esse modo é ideal para matar grupos de inimigos que estejam lhe cercando, pois com alguns combos rápidos, eles estarão prontos para uma finalização brutal.

Agora, nem tudo são flores em Re-Reckoning. Se tem uma coisa que realmente incomodou na minha jogatina, foram os loadings. Eles são constantes, sempre que você entra (ou sai) em uma dungeon ou residência. E quando é de uma residência/ou dungeon pro mundo, os loadings são maiores.

Sim, isso é uma constante e incomoda de verdade. Talvez se eu tivesse um SSD os loadings seriam menores, mas eu sou tão versado em tecnologia quanto o João da Esquina, sem contar que HD’s custam dinheiros, coisa que anda em falta.

Belos cenários… Gente feia.

Amalur tem cenários maravilhosamente lindos, eles não dão a mesma vibe de um Skyrim por exemplo, mas definitivamente são bonitos e passam no teste do tempo, apesar de que em alguns momentos, você vai desejar que não tenham tantas teias de aranha assim.

Por outro lado os personagens… Somente agora, com o relançamento, deu pra ver que os personagens são feios, e meu Deus. Eles não parecem ser feitos num ralador de queijo, como os personagens de Skyrim, mas o estilo cartunesco não ficou muito bom.

O criador de personagens também é extremamente limitado, sendo dada ao jogador poucas opções de customização da aparência do personagem. Posso dizer tranquilamente que existem jogos de PS2 que dão maior liberdade de customização na hora de criar seus personagens, o que é uma pena.

A trilha sonora de Amalur foi composta por Grant Kirkhope (Banjo-Kazooie, Perfect Dark, Castle of Illusion Remake) e executada pela Orquestra Filarmônica da Cidade de Praga.

São composições muito boas que passam o clima variado da jornada, desde a solidão das longas caminhadas de um ponto a outro do mapa, ou a agitação e perigo de uma batalha contra um chefe.

A dublagem é competente. Mas, se eu for completamente franco, você vai esquecer dela, porque existe a opção de pular os diálogos com o botão quadrado durante as cenas. Eu mesmo fiz isso em muitas instâncias do jogo.

Veredito final

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning tem alguns problemas que podem afastar os mais casuais, como o visual datado dos personagens, as árvores de habilidades complexas ou os demorados loadings.

Mas, como contraponto, temos um excelente mundo a se explorar, horas infindáveis de conteúdo (incluindo os DLC’s do jogo original que estão inclusos de cara no pacote) e uma jogabilidade base bem gostosa.

Dependendo da plataforma que você possui (Xbox One e PC), ele pode valer a pena a compra pelo preço pedido (sim PlayStation 4, estamos olhando pros seus 164,90 pedidos), caso possua um PS4, espere uma promoção. E caso você possua a versão original na steam, poderá aproveitar um polpudo desconto de 50% válido até o dia 8 de novembro.

Kingdoms of Amalur: Re-Reckoning está disponível para PC (via Steam, GOG.com e Epic Games), Xbox One e Playstation 4.

A análise deste jogo foi feita com base na versão de PS4, com uma cópia gentilmente cedida pela THQ Nordic.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.