Se você me falasse algo sobre jogos brasileiros 30 anos atrás… Provavelmente eu não responderia nada porque em 1990 eu mal tinha dois anos de idade. Mas, se em meados dos anos 90, você me falasse algo sobre jogos brasileiros.

Eu responderia que eram algo bem distante. E estaria um tanto errado porque na época tínhamos os jogos da TecToy para Master System e Mega Drive. Cuja qualidade era bastante questionável.

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Diabos, eu entro em posição fetal e clamo pela minha mãe toda vez que lembro de Sítio do Pica Pau Amarelo. Castelo Rá-Tim-Bum e Férias Frustradas do Pica-Pau também não me deixam mentir.

Hoje em dia as coisas estão diferentes, jogos brasileiros saem aos montes e nas mais variadas plataformas, e ainda que não tenham orçamento ou visuais de jogos AAA, não quer dizer que não possuem qualidades.

Claro, ainda vamos ter muitos jogos de qualidade duvidosa saindo, seja no PC (O finado Steam Greenlight deu luz a algumas das maiores aberrações já produzidas em solo tupiniquim), ou nos consoles.

O desenvolvimento de Dogurai se iniciou em 2014, como um dos jogos produzidos para a Game Boy Jam 3, lá no GameJolt.

O desenvolvimento do jogo continuou por até que em 2018, o jogo chegava ao Steam, e foi nessa época que tive o primeiro contato com o jogo, através da demo disponibilizada pela HungryBear para o Mystery Game Tournament, da Speedruns Brasil.

E agora, em março de 2020, o jogo chegou ao PlayStation 4 e ao Nintendo Switch, com o porte sendo produzido pela QuByte Games (99 Vidas, Vasara Collection).

Será que o jogo vale a pena o seu dinheirinho?

Furries da Justiça

Dogurai

Tá, Dogurai não é cheio de Furries que nem Fight’n Rage, mas eu decidi fazer a piada ali. Em um futuro não muito distante, a Microsoft-Google substituiu as Forças Armadas e a Polícia por robôs e máquinas, e seu líder, John Google decide DOMINAR O MUNDO, porque é isso que líderes de grandes corporações fazem. Só perguntar a Disney.

Enfim, Bones, um cão-samurai, decidiu ficar Pluto da vida e sair da aposentadoria, para impedir que John Google dominasse o mundo.

No momento, sinto que esse parágrafo sobre a história está curto demais. Mas bem, como o jogo é visualmente inspirado pelos jogos do Game Boy, tudo bem, relevemos.

ELE CORTA, PICA E FATIA

Dogurai

Pequena observação, eu queria colocar a frase “Fácil de controlar, difícil de dominar”, mas mudei de ideia.

Enfim, Dogurai é um side scroller 2D, e basicamente tudo o que você tem para atacar seus inimigos é a sua espada. Você possui um pulo duplo e um slide, mas é só isso.

Os controles são fáceis de se aprender e na metade do estágio de introdução, você vai ter aprendido tudo o que é necessário para terminar o jogo.

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E é aí que a parte “difícil de dominar” entra em campo. As fases possuem uma curva de dificuldade crescente, e até aprender, você vai morrer em alguns obstáculos.

O design de alguns obstáculos das fases é um tanto questionável, mas no fim, é questão de insistência até chegar aos chefes.

As batalhas contra chefes não chegam a ser muito difíceis, assim como todo bom jogo de ação, basta você prestar atenção nos padrões de ataque e reagir de acordo com eles. Não é nada que com um pouco de paciência não dê pra passar.

O jogo ainda possui certa quantia de segredos a serem descobertos, para aumentar o fator replay, como os quatro disquetes escondidos (um deles nem tão escondido assim) que ajudam a resgatar seu velho amigo Rider. Se os disquetes não forem encontrados, Rider se torna um boss na última fase e precisamos eliminá-lo.

Ao conseguir o final bom, salvando Rider, ele se torna um personagem jogável, com suas shurikens (logo, ataque a longa distância), novamente, fator replay em ação.

Por fim, após as quatro fases iniciais, temos uma longa jornada que leva a típica Boss Rush, antes do confronto no espaço sideral.

Como no Game Boy, mas pode irritar

Dogurai

O jogo começou o desenvolvimento numa Jam de Game Boy, e segue essa estética. Os gráficos são bem definidos, mas na versão de consoles, possui duas resoluções.

A que mantém a proporção original da tela, com o restante sendo preenchido por uma borda. E uma versão esticada, que ainda mantém a proporção, mas eliminando as bordas e ocupando boa parte da tela,

A resolução original parece meio… Pequena, mesmo jogando numa tela de 43′. Isso fica mais como uma reclamação minha do que um defeito do jogo… “Ain, mas Sancini, porque especificamente uma tela de 43′?”

Calma, pessoa imaginária que inventei só pra alongar um pouquinho essa análise. Tela de 43′ é porque é o tamanho da minha TV. Eu queria comprar uma de 32′, mas meus pais me convenceram de que a de 43′ tava barata, então foi ela que comprei.

Onde eu estava? Ah sim.

O jogo possui uma paleta de cores dinâmica, alterando e se adequando dependendo da fase que estamos jogando. Ou você pode simplesmente escolher uma das paletas fixas e permanecer com ela do começo ao fim do jogo.

Isso é recomendado, porque alguns dos contrastes das paletas acabam deixando tudo muito claro e o posicionamento de inimigos pode ficar enganoso e irritar um pouco o jogador.

A trilha de Dogurai é uma caixinha de surpresas. Tem algumas melodias empolgantes, porém outras são desinteressantes, como por exemplo a musica do Menu (que é a mesma da seleção de fases.).

Jesus Cristo de Cascatinha, que música chata.

Veredito Final

Dogurai

Dogurai é um jogo curto, dá pra você terminar em duas horas, se você souber o que fazer.

Possui um bom fator replay, e para um jogo que custa 10 reais no PC (20 no PS4), certamente vale a pena para uma tarde de tédio. Tem algumas decisões de design questionáveis e algumas musicas não muito inspiradas, mas no geral é um jogo decente.

Dogurai está disponível para PC (via Steam e itch.io), Playstation 4 e Nintendo Switch.

Esta análise foi feita com base na versão de PS4.

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Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.