Videogames são arte?

Certamente você já ouviu este questionamento em algum lugar na internet, ironicamente ou não em seus grupos de conversa do zap zap ou na mídia jornalística de vídeo jogos.

Eu acredito que muitos desenvolvedores de games encarem suas criações como um trabalho artístico, mas poucos usam da arte para transformar em algo jogável.

Manifold Garden

Um desses poucos se chama William Chyr, um artista que em 2012, resolveu largar as restrições da vida real e levar sua arte para desenvolvimento de jogos, dedicando seus próximos 7 anos no seu primeiro quadro interativo, Manifold Garden.

O jogo é um first-person puzzle (FPP?) naquela pegada de Portal com The Witness, onde você tem que resolver uma série de quebra cabeças e progredir para novas áreas.

Em Manifold Garden, não existe qualquer tipo de narrativa ou personagens para interagir, é um jogo que se apoia totalmente nos seus desafios e na contemplação de cenários.

A estrutura

Manifold Garden

A principal mecânica deste game é a possibilidade de andar em todos os lados de um cenário, seja no teto ou nas paredes, tudo isso de uma maneira que você não perca o senso de direção com a utilização de cores para cada lado que você “gruda”.

O segundo elemento que compõe esses puzzles são os cubos coloridos (verde, amarelo, vermelho, azul, roxo e laranja) que correspondem os lados que tu pode gravitacionar.

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Esses cubos são usados basicamente em 90% dos problemas, desde colocando-os em locais específicos para abrir portas, mudar o curso da água, ou plantar como semente para criar uma arvore de cubos (?).

Já o terceiro elemento são os próprios ambientes, que são muito inspirados em pinturas do artista Escher, com escadas que se conectam umas com as outras de formas impossíveis, além de corredores e abismos sem fim, paisagens que vão se repedindo até onde o draw-distance deixar.

Estes três elementos vão basicamente se repetir até o final do jogo com introdução de algumas mecânicas novas.

Ideias diferenciadas

Manifold Garden

Eu gosto muito das ideias que esse jogo tem, especialmente a parte de manipulação de gravidade e as vistas, mas infelizmente só isso não conseguiu sustentar a jogabilidade durante o jogo inteiro.

Ao total, o game tem mais ou menos entre três a quatro horas de duração, sendo que com apenas uma hora eu já estava um pouco entediado. Na real, eu não conseguia jogar por mais de 20 minutos sem querer fechar o jogo e partir pra outra coisa.

Muito disso acontece quando o jogo te coloca em lugares muito abertos, preenchido por tons pasteis, onde é fácil perder o foco de onde se deva ir, já que tudo que se deve fazer é ficar catando onde está o próximo ponto de interesse e resolver mais alguns puzzles que envolvem CUBOS!

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Não que os problemas sejam fáceis, muitos deles vão te fazer pensar bastante até chegar numa solução, mas o maior demérito do jogo é a parte de ficar procurando onde está o próximo ponto que liga de um puzzle a outro.

Talvez se fosse uma experiência mais contida, com pequenas salas e quebra cabeças elaborados como em Portal, eu até gostaria um pouco mais. Mas entendo que o ponto era criar um labirinto geométrico que se repete infinitamente e nisso com certeza o Seu William acertou em cheio.

Conclusão

Manifold Garden

No mais, Manifold Garden é um jogo que traz bons conceitos. Controlar a gravidade a seu favor é muito da hora, te possibilitando ver lugares sob perspectivas diferentes (ou cair infinitamente de lados diferentes).

Ele também possui uma arte bastante intrigante, com uma trilha sonora bem minimalista que combina bastante com a ambientação. Porém, com há muitos problemas de ritmo entre puzzles, isso acaba transformando Manifold Garden em um jogo que vale mais pelos visuais do que pela diversão.

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Manifold Garden está disponível para Android, PC, PS4, Xbox One e Nintendo Switch.

Essa análise foi feita com uma cópia cedida gentilmente pela produtora do jogo.

O autor desse texto foi nosso convidado Alexis Oliveira.
Grande fã de gachas e da série Yakuza. Atualmente é um nintendista não-praticante.

Author: Tony Santos

Proto-engenheiro eletricista, amante dos bons jogos e crítico incondicional de coisas que eu não gosto.