Os jogos de aventura

Os anos 80 foram a época do nascimento de jogos de aventura para PC, seja do tipo point-and-click como Maniac Mansion (1987) ou games com controle total do personagem, como Prince of Persia (1989).

Na década seguinte, tivemos o apogeu desse tipo de entretenimento, principalmente com os jogos da Lucas Arts, como Monkey Island e Full Throttle. Outras desenvolvedoras também tiveram seus sucessos, como inesquecível Another World de 1991, que misturava um pouco do que foi criado em Prince of Persia com solução de quebra-cabeças.

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Nessa mesma linha, tivemos o principal representante dos adventures, “The Eternal Castle”, que agora em 2020 ganha um relançamento. Ou será que não é bem assim?

The Eternal Castle: Remastered

“Remastered?”

Em todos os pré-releases e até na descrição das lojas onde o game está disponível, temos a informação de que TECR é uma reimaginação ou relançamento de um grande clássicos dos games de aventura do ano de 1987, onde controlamos Adão ou Eva (não os da bíblia) voltando para o planeta Terra para explorar e buscar recursos para humanidade em um futuro bem pós-apocalíptico.

Obviamente que a primeira coisa que fui fazer foi ir atrás do game original e ver o que foi melhorado nesta versão. Isso não seria novidade, visto que muitos dos adventures dessa era já ganharam continuações ou relançamentos nessa mesma linha desde a geração passada, porém eu não encontrei nada.

The Eternal Castle: Remastered

“Estranho, meu GOOGLE deve estar com COVID-19”, pensei. Como eu não encontraria nenhuma informação sobre um jogo que, segundo a própria loja, é um clássico? A resposta era até simples: The Eternal Castle simplesmente nunca existiu.

Isso mesmo, os desenvolvedores criaram toda uma narrativa sobre ele ser um relançamento mas na realidade o que temos é um game de 2020 totalmente inspirado pelos jogos citados no primeiro capítulo dessa análise.

O problema de jogos retrô indies

Quando vemos algo inspirado em games de outra geração, sempre corremos o risco de nos depararmos com alguns problemas, sendo um deles um dos maiores: a tal “inspiração parcial”.

Isso ocorre quando o desenvolvedor (normalmente indie) se atem somente a alguns aspectos da era em que se baseou para sua criação moderna.

Assim, acabamos vendo jogos como Super Meat Boy e The Angry Videogame Nerd: The Game, onde temos um bom gameplay, mas gráficos que não condizem com sua inspiração, com gráficos e sons que não seriam possíveis em plataformas mais antigas.

Essa estética é claro, nem sempre é obrigatória e fica a cargo da direção de arte. Porém, acredito que a limitação auto-imposta faz com que o criador melhore o resultado final de sua criação, e nisso o pessoal da TFL Studios fez muito bem.

The Eternal Castle: Remastered

Oldschool demais (para o bem e para o mal)

O estúdio definiu muito bem suas metas aqui, criando um visual e jogabilidade que funcionam exatamente como seriam se fosse um game da década de oitenta. Claro, temos algumas coisas atuais, como menus mais acessíveis e possibilidade de jogar em modo cooperativo, cada um com um joy-con.

Por outro lado, a escolha de gráficos 2-bits emulando monitores CGA faz com que os gráficos sejam um pouco difíceis de compreender em alguns momentos, porém com o tempo é possível se acostumar com a imagem verde e rosa que permeia todo o jogo.

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As animações, apresentam qualidade incrível, que simulam a rotoscopia usada em Prince of Persia para os personagens humanos. Além disso, objetos como naves e edificações que aparecem em cenários e cutscenes claramente foram feitas em CGI e tiveram um downgrade para se encaixarem na identidade visual proposta. O resultado ficou ótimo!

The Eternal Castle: Remastered

O Combate de The Eternal Castle: Remastered!

Já o combate de The Eternal Castle: Remastered é bem simples. Seu personagem dá socos e chutes, com uso eventual de armas e itens que ajudam em determinadas áreas, porém esses são mais usados em puzzles do que contra inimigos. Até porque o foco do game é a exploração e avançar a história, muito mais do que o combate.

O tamanho do game é na medida certa para o gênero, podendo ser terminado em um pouco mais de uma hora. Caso o jogador não morra muito,  é claro. Mas para estimular novos gameplays, The Eternal Castle contém um sistema de leaderboards, para fazer os jogadores tentarem zerar novamente, seja concluindo 100% dos coletáveis ou terminando a história o mais rápido possível.

The Eternal Castle: Remastered

Conclusão

Desde sua tela de abertura simulando MS-DOS, indo até os gráficos em CGA, The Eternal Castle: Remastered cumpre sua promessa de SER um game de 1987, onde ao ponto onde os produtores mantêm esse discurso de fingir que isso se trata de um remaster.

Por outro lado, a qualidade do mesmo pode ser ofuscada devido ao mesmo ser vendido como um jogo antigo, pois essa escolha de marketing faz com que os produtores omitam as qualidades modernas presentes.

Caso você seja um novato no gênero, não se intimide com sua aparência, pois essa é uma escola estética que vem acompanhada de uma jogabilidade boa e história interessante que fica pau a pau com os games que ele tenta emular.

O game está disponível para Nintendo Switch e PC/Linux/Mac via Steam.

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Essa análise de The Eternal Castle: Remastered foi feita com uma cópia digital de Nintendo Switch, fornecida pelos produtores do game.

The Eternal Castle: Remastered

The Eternal Castle: Remastered

Author: Tony Santos

Proto-engenheiro eletricista, amante dos bons jogos e crítico incondicional de coisas que eu não gosto.