O título da análise deste jogo é um clickbait safado, parodiando aquele artigo que pedia um modo Easy em Sekiro: Shadows Die Twice.

O autor da análise, assim como os demais membros do Arquivos do Woo, não são a favor de “dificuldades mais fáceis a pedido de jornalistas”. Se o criador do jogo coloca uma dificuldade única, é como o jogo deve ser encarado. Se o jogo possui múltiplas dificuldades, o jogador pode escolher a que mais lhe agrada.

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Há onze anos atrás, um modesto jogo dos criadores de Armored Core deu início a um gênero que perdura até hoje.

Demon’s Souls ficou restrito ao PS3 (até o recente anúncio do remake para PS5), mas sua sequência ‘espiritual’, Dark Souls, se espalhou pelo mundo a ponto de criar uma tendência extremamente irritante na “mídia especializada”, onde tal jogo era o Dark Souls de X. E também deu a luz aos fromzeiros, uma raça chata pra caralho (shoutouts pro Shiba).

Por outro lado, as influências de Dark Souls foram responsáveis por outros jogos saírem no mercado. Tanto para o bem, quanto para o mal.

Nisso, chega agora ao mercado, Mortal Shell. Será que ele consegue se destacar em meio aos semelhantes, ou vai ser esquecido, tal qual Lords of the Fallen?

Um novo mundo, um velho conceito

Mortal Shell

Você está no papel de um ser indistinto, denominado “O Abandonado” (The Foundling em inglês), um espírito que passaria certamente no teste de stealth, caso ele fosse feito numa nevasca na Antártida. Após deixar uma espécie de plano astral (que nada mais é do que o tutorial do jogo), você está num mundo decrépito, conhecido como Fallgrim.

Lá, praticamente tudo quer te matar, e pode te matar, especialmente na sua forma espectral, que possui pouquíssima energia base. Como numa carta de amor a Dark Souls, os detalhes do mundo de Mortal Shell são dados de forma esparsa, explorando o local e conhecendo os NPC’s que lá habitam.

A jogabilidade funciona de maneira semelhante aos jogos da série Souls, com jogadores da mesma se sentindo em casa com os controles básicos. Porém, Mortal Shell adiciona um twist interessante na construção do seu personagem. Ao invés de trabalhar criando builds logo de cara, você precisa encontrar receptáculos que possam acomodar a sua forma espectral.

Localizados em diversos pontos do mundo, esses receptáculos pertenciam a guerreiros que caíram em combate, e podem ser reanimados por você, ao tocá-los.

Cada receptáculo possui características únicas, sendo recomendado ao jogador que encontre uma que se adeque ao seu estilo.

Janky Souls, mate!

Mortal Shell

O jogo pode ser considerado mais acessível que Dark Souls em termos de dificuldade (até por ele ser mais curto), mas ainda assim não chega a ser uma jogatina tranquila.

Você ainda vai se frustrar com algumas mortes, especialmente considerando que a movimentação e o combate são um cadinho desajeitados, mas nada que vá afetar muito a jogatina.

A maneira de você conseguir habilidades é semelhante a dos jogos de Souls, com os inimigos dando a moeda do jogo e você gastando elas em um local do mapa para desbloquear a habilidade.

A maneira de se defender é diferente, com o jogador se transformando em pedra para bloquear os ataques.

A defesa faz com que os inimigos cambaleiem para trás, abrindo espaço para contra ataque e pode ser combinada com o ataque, o que é útil, especialmente quando se tem mais de um inimigo ao seu redor, já que permite um segundo de respiração.

Os combates contra chefes são mais ou menos o arroz com feijão de souls, tenha em mãos itens de cura, veja qual o padrão de ataque, aprenda, morra e repita. Aliás, falando em morrer, quando num receptáculo, se os inimigos acabarem com a sua barra de energia, você não morrerá de imediato, mas será jogado para fora do receptáculo na forma espectral e poderá retornar para ele.

Claro, na forma espectral você não tem muita energia, e se tomar uma porrada, vai morrer, mas é uma segunda chance, que pode se provar bem útil nas lutas contra chefes.

Detalhista, porém repetitivo

Mortal Shell

Graficamente, Mortal Shell é bem bonito, apesar do estilo. Os cenários são bem construídos e possuem um design interessante.

A movimentação, como eu já mencionei antes, é um tanto desajeitada, isso vale pra você e os inimigos, que não possuem uma inteligência lá muito alta (fazer com que um inimigo vá de uma armadilha até outra até ele morrer é bem engraçado).

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O jogo possui também um “Modo Gráfico Indie”, que eu não sei qual o objetivo da publisher ao colocá-lo lá, porque não sei quem teria um tesão em colocar um monte de serrilhados em Full HD. E apesar dos cenários de Mortal Shell serem bonitos, eles acabam sendo um tanto repetitivos, tornando muito fácil o jogador se perder.

A trilha complementa o visual estonteante do jogo, com faixas que passam a hostilidade de Fallgrim, não são musicas que vão ficar na sua cabeça, tampouco tem o objetivo disso, mas casam com o clima sombrio de Mortal Shell, mesmo tendo um tom industrial.

Veredito final

Mortal Shell

Apesar de ser inspirado em Dark Souls, Mortal Shell consegue se sustentar como jogo. Oferece algo familiar a quem conhece a franquia da From Software, mas tem pontos interessantes o suficiente para ser original.

Você ainda vai xingar feito marinheiro irlandês, ainda vai morrer e vai aprender como superar os obstáculos. Se você já zerou a franquia da From Software e procura uma alternativa, pode ir sem medo e comprar o jogo. Palavra de quem é ruim pra caralho em Souls e ainda se divertiu a beça com o jogo.

Mortal Shell está disponível para Playstation 4, Xbox One e PC (via Epic Games Store).

A análise desse jogo foi feita com base na versão de PS4, com uma cópia gentilmente cedida pela produtora.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.