Eu devo ter dito isso já, mas se você me acompanha nas redes sociais, sabe que eu sou fã de Formula 1 (e de corridas num geral. Exceto talvez Nascar… Não tanko 4 horas de ovais nem fodendo, mas divago.). E desde que a Codemasters assumiu a batuta dos jogos oficiais da categoria, no distante ano de 2009 (terceirizando o F1 2009 para a Sumo Digital), a cada ano temos um lançamento.

Claro, que muitas vezes, lançamentos anuais tendem a causar certa complacência (F1 2014 que o diga), e uma nova engine com uma nova geração, tendem a causar jogos completamente esquecíveis (F1 2015 mandou abraços), mas nesses doze anos de jogos da Codemasters, houveram mais acertos do que erros, e a evolução foi feita.

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Mas ainda assim, como trazer inovação numa franquia anual? Esse foi o desafio da Codemasters para o F1 2020, jogo lançado num período curioso da temporada atual da F1… Que acabou de começar, devido a pandemia no mundo inteiro.

Será que a Codemasters entregou uma boa experiência, ou temos um produto equivalente ao Mahaveer Raghunathan dos jogos de corrida?

F1 2020 | Acelerando com tudo!

Antes de começar com o que vale a pena, vou destacar alguns dos problemas encontrados no jogo (e que devem ser consertados com patches em breve).

Em alguns momentos pré (ou pós)-corrida, nos boxes ou no grid de largada, você encontra algumas texturas do jogo em baixa resolução (que o jogo carrega antes das texturas em alta definição), só que os loadings da versão do PS4 demoram a ponto dessas texturas permanecerem até cortar pra próxima cena.

Em alguns momentos, os pilotos aparecem sem cabeça (não aconteceu comigo, mas há screenshots o suficiente na internet). Novamente, os loadings do jogo são demorados, a ponto de algumas vezes, o render do meu piloto não carregar, tanto no grid de largada, quanto no final se eu ganho o “Piloto do Dia”. E em alguns momentos, em menus de customização, a taxa de frames cai de maneira absurda (felizmente essas quedas não são na parte importante do jogo, a corrida).

F1 2020 | Acelerando com tudo!

Agora, começando pra valer a análise, falemos de uma das novidades trazidas pela Codemasters. Com o intuito de fazer com que o público mais casual consiga aproveitar os jogos de F1, F1 2020 introduz a jogabilidade Casual.

Com ela, boa parte dos aspectos do carro ( Gerenciamento de combustível, de energia (ERS) e até mesmo o sistema de redução de arrasto (DRS) ) passam a ser feitos de maneira automática, para que o jogador possa prestar atenção na corrida, sem essas distrações (para um novato). O modo também auxilia (ainda mais) a frenagem nas curvas, e corrige o traçado na pista.

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Por um lado, para um novato, isso ajuda bastante (tanto que para novatos, é recomendado que se use, aliado a dificuldades mais baixas), mas por outro, não recomendo a alguém que tenha certa experiência com jogos de corrida, a arriscar jogar assim, porque ao mesmo tempo que ele pode auxiliar, ele atrapalha caso você queira fazer uma ultrapassagem, pois a correção do traçado de puxa de volta e pode até te jogar pra fora do circuito. Mas, se você quiser conhecer os traçados na Tomada de Tempo (e é novato em F1), é uma boa opção.

Outra coisa que o jogo traz de novo, são os dois circuitos que na vida real, não pudemos ter corrida por conta da pandemia, o circuito de rua de Hanói, no Vietnã, e o circuito de Zandvoort, na Holanda.

F1 2020 | Acelerando com tudo!

Esses circuitos tem suas particularidades, mas logo de cara adianto que a última curva de Hanói é basicamente o Muro dos Campeões, só que com esteroides.

Pra todos vocês que tem vidas normais e não conhecem tão bem a F1, o Muro dos Campeões é um muro localizado na última curva do Circuito Gilles Villeneuve (no Canadá) e ganhou esse nome, porque no GP do Canadá de 1999, três campeões mundiais tiveram acidentes naquela curva, Damon Hill, Michael Schumacher e Jacques Villeneuve. Enfim, a última curva de Hanói tem a mesma pegada, se você errar, MURO.

Hanói é uma pista bem veloz, porém ao mesmo tempo, suas curvas dão uma sensação de estranheza e é uma pista imperdoável, já que ela é mais murada até que Baku. Não chega aos níveis de Mônaco, mas é uma pista que requer atenção (ou danos desligados).

F1 2020 | Acelerando com tudo!

Zandvoort é uma pista relativamente curta (com volta em torno de um minuto e quinze, um minuto e vinte), que pode dar um pouco de canseira a princípio, principalmente devido as inclinações de certas curvas e possui uns trechos menos largos, mas no fim pode gerar boas provas.

Porém, assim como no calendário da vida real (pré-pandemia), a prova da Alemanha foi removida do calendário.

F1 2020 | Acelerando com tudo!

Em termos de conteúdo inútil, podemos dizer que F1 2020 removeu muitas das coisas que honestamente, você só iria tocar nelas se estivesse extremamente entediado. Sério, você tinha uns 549830389 campeonatos que não iria fazer porque eles…

Não serviam pra nada.

Agora, você tem, no modo Campeonato, seis campeonatos, dois deles sendo os campeonatos oficiais de 2020 da F1 e 2019 da F2 (se seguirmos o padrão do F1 2019, o campeonato de 2020 da F2 será adicionado em setembro/outubro via atualização gratuita) e alguns campeonatos variados, mas são apenas seis campeonatos, ao invés daquele monte de coisa só pra encher linguiça.

E ainda assim, dessa vez, completando provas e corridas, XP será adicionado (vou explicar isso mais adiante, não se preocupe.)

F1 2020 | Acelerando com tudo!

O modo carreira é uma versão levemente melhorada das edições anteriores do jogo. Você cria seu avatar (logo que inicia o jogo) e pode usar ele para escalar rumo ao topo da Fórmula 1.

Ao iniciar a carreira, você tem quatro opções de início, uma semelhante a 2019, onde se disputa três cenários da F2 antes de ir para a F1, uma onde se disputam seis provas antes de ir pra F1, uma na qual se corre o calendário inteiro da F2 (24 corridas em 12 rodadas duplas) e uma na qual se vai direto para a F1.

Escolha uma equipe (na F2), uma academia de pilotos e os seus resultados na F2 influenciarão a maneira que você é visto na categoria principal.

F1 2020 | Acelerando com tudo!

Na Formula 2, todos os carros são iguais a temporada inteira, então o que fará diferença lá, é a sua habilidade no volante. No fim da temporada da F2, escolha uma equipe na F1 e aí é que seu trabalho começa.

Para este ano, a Codemasters trouxe algo que havia no enfadonho F1 2014, que é a possibilidade de escolher a quantidade de corridas que a temporada irá possuir, a completa, com 22, uma reduzida, com 16, ou uma temporada curta, com 10 provas.

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Isso dá a chance a novatos, de remover as corridas nas quais ainda não se tem o domínio do traçado (como Mônaco), ou acha chata (como a França) ou não consegue fazer duas curvas sem sair da pista (como o Japão). A frase anterior pode ou não ter sido baseada em experiências passadas minhas.

Enfim, o fim de semana da Formula 1 é dividido em Treinos Livres na sexta e sábado, o treino de classificação no sábado e a corrida no domingo. A questão é que não é apenas correr, mas desenvolver o carro da sua equipe, a ponto dele ser competitivo.

Isso se consegue completando os programas de prática nos treinos livres. Agora, mais que antes, é necessário fazer esses programas, já que a distribuição de pontos de pesquisa e desenvolvimento não é feita como antes, através de rivalidade, qualificação e corridas, mas através dos programas de prática e do desenvolvimento da Equipe.

Os pontos de pesquisa e desenvolvimento podem ser usados em quatro áreas do carro, Motor, Aerodinâmica, Chassi e Durabilidade.

Motor obviamente tem a ver com a potência do mesmo, uso do sistema elétrico e combustível, a aerodinâmica é como o carro lida nas retas e curvas, o chassi melhora a distribuição de peso e desgaste de pneus, e a durabilidade é ligada aos aspectos de desgaste do motor.

Na teoria parece algo difícil, mas com o tempo você pega a prática e se torna fácil.

Para esse ano, foram adicionadas perks, que podem ser compradas com o salário no jogo, essas perks dão boosts em certos aspectos, desde mais pontos de pesquisa e desenvolvimento, respostas adicionais nas entrevistas, um boost maior na fama após as sessões e menos desgaste de motor, dentre outras coisas.

Falando em entrevistas, muitas vezes, após uma prova (ou mesmo qualificatórias e treinos livres), você será entrevistado por Claire, e essas entrevistas podem colocar você em uma rivalidade, e aumentar a sua Fama. Fama aliás, é só um nome enfeitado para o Nível do seu piloto.

E continuando no papo de entrevistas, antes da temporada (e creio que em pontos chave da temporada também), rola uma entrevista com Will Buxton (repórter de campo oficial da F1) na qual as respostas dela dão um tom do tipo de cobrança que vai se esperar de você como piloto.

Finalizando sobre o modo carreira de piloto, ao contrário do ano anterior, onde você renegociava seu contrato a cada quatro provas, aqui o contrato de piloto vai até o fim da temporada. (Mas creio que ainda deve rolar a janela de transferências no meio da temporada, não avancei o suficiente na Carreira para ver isso).

Agora, falaremos sobre a principal novidade para o F1 2020, aquela que fez esse que vos fala comprar o jogo na pré-venda.

O modo Minha Equipe.

O Modo Minha Equipe permite que o jogador crie a que será a décima primeira equipe da temporada 2020 de Fórmula 1.

Você tem a oportunidade de criar uma equipe de Formula 1, criando a pintura dele, o escudo, nome, patrocinador principal e o fornecedor de motores. Mas como a Formula 1 é um esporte de equipe, você também precisará de um segundo piloto, que nos introduz ao Mercado de Pilotos.

A princípio, um grupo aleatório de 8 pilotos da F2 estará disponível para contrato, mas conforme se avança, outros pilotos podem ser contratados através do Mercado de Pilotos.

Isso adiciona uma camada de administração, primeiro porque você não vai estar apenas correndo, mas desenvolvendo todos os setores da equipe, melhorando o QG dela.

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E F1 2020, além dos já conhecidos pontos de pesquisa e desenvolvimento, adiciona um aspecto financeiro ao jogo, nesse modo. Porque você precisa de dinheiro para manter a equipe se movimentando, pra desenvolver o QG da equipe.

O desenvolvimento do QG permite que mais partes da área de Pesquisa e Desenvolvimento sejam abertos, ajudam a aumentar os status base do segundo piloto e num geral, melhorando a equipe.

O dinheiro é adquirido em geral a cada prova, através de patrocinadores (dependendo do nível de fama da equipe, novos patrocinadores podem ser adquiridos, patrocinadores esses que vão ter objetivos secundários para lhes dar bônus), que garantem uma renda semanal, eventos especiais (que ao contrário dos anos anteriores, dão fama e dinheiro) e algumas atividades especiais.

Ainda na questão de administração, você precisa administrar o tempo entre uma prova e outra, definindo qual será o foco da equipe naquela semana, com diversas atividades que vão gerar pontos de fama, dinheiro, pesquisa e desenvolvimento ou aumento nos status do segundo piloto. Cada atividade dura um determinado tempo, e cabe ao jogador fazer o que lhe convém mais.

Agora que falamos dos aspectos mais técnicos dos modos de jogo, vamos mudar um pouco e falar do que o jogo traz nos aspectos de customização.

O jogo adicionou pontos de experiência (lembra que eu citei parágrafos atrás?), que fazem com que seu perfil ganhe níveis no Passe de Pódio.

Conforme se sobe de nível, você libera pinturas adicionais para os carros, assim como macacões, capacetes, luvas, poses do piloto, comemorações de pódio e insígnias (para criarem o emblema da sua equipe), além de Pontos de Pódio, que podem ser usados pra comprar items in-game, que rotacionam numa loja in-game.

Esses Pontos de Pódio usualmente podem ser adquiridos in-game, mas (aí mora um perigo enorme) pacotes de pontos de pódio podem ser comprados na loja de seu console escolhido com dinheiro de verdade. (Eu, como sou um pobretão fodido e dou valor ao meu suado dinheirinho, não vou comprar esse tipo de coisa).

Voltando aos pontos de experiência, eles podem ser adquiridos completando voltas, e desafios que variam de diários, semanais ou bimestrais. Além dos desafios pro Modo Carreira e Minha Equipe, que também dão XP.

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Isso, aliado com as pinturas que rotacionam na loja ajuda a dar uma vida útil maior ao jogo, mas a venda de pontos de pódio abre um precedente perigoso pra franquia se transformar em Fifa, no sentido mais pejorativo da palavra.

Agora, falemos do que importa num jogo de corrida, a jogabilidade. Ela continua a mesma do Formula 1 2019, se você é novato, existe todo um grupo de assistências para fazer com que as suas voltas ao redor dos circuitos, sejam as mais agradáveis possíveis, e nem falo do modo casual que citei lá no começo.

Você tem auxílios disponíveis de marcha, freios, traçado, danos, entrada e saída dos pits, logo, a experiência num controle, pode ser customizada a seu gosto, deixando a experiência suave.

Uma das coisas que os pilotos de Formula 1 (que jogaram o jogo anterior) criticaram e a Codemasters mudou, foi o ERS, sistema de distribuição de energia, que agora funciona de maneira semi-automática, como na vida real.

Antes, haviam diversos modos do ERS, para dar potência em ultrapassagens, ou em voltas rápidas, agora, o ERS basicamente tem três modos, um para voltas rápidas (que só funciona nos treinos classificatórios), e dois para uso nas corridas, o médio e o de ultrapassagem.

O modo de ultrapassagem é ativado com um botão e dá um aumento ligeiro de potência ao carro. Mas é preciso usar com parcimônia, já que ele acelera o uso da barra de ERS, então use-o em retas longas para fazer ultrapassagens, tentar uma volta rápida ou defender posições.

Coisas, como desgaste de pneus, motor e distribuição de combustível, são sempre coisas a serem vistas pelo jogador, como não há mais parada pra reabastecimento na F1, o jogador deve administrar isso, alternando entre as misturas rica (mais velocidade, mas acaba mais rápido), a normal que não tem nada demais e a mistura econômica (mais lenta, mas ajuda a poupar combustível para a parte final da prova).

Tecnicamente, a despeito dos defeitos que citei no início da análise (as texturas em baixa definição), F1 2020 é tão bonito quanto seu antecessor.

As pistas estão recriadas com a maior fidelidade possível e alguns reajustes foram feitos, em circuitos como Mônaco (não muito perceptível, mas aumentaram um pouquinho, alguns circuitos) e Barcelona (consertaram a chicane no final do último setor).

Os carros seguem em sua maioria, os modelos revelados pra temporada desse ano (com exceção das alterações mais recentes, como a parte da Hashtag  #WeRaceAsOne), mas infelizmente não temos a Mercedes preta, que foi revelada de última hora. Porém, a Williams colgate foi removida e ironicamente, o carro da Williams é o único que está 100% atualizado com relação a contraparte real.

O jogo possui um sistema de clima dinâmico, onde o tempo passa e a iluminação mostra isso, com provas onde se vai anoitecendo, como o caso de Abu Dhabi.

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A iluminação mesmo pode atrapalhar o jogador com reflexos do sol fazendo com que algumas curvas sejam um pouquinho mais difíceis de se julgar o ponto ideal. Porém nem tudo são flores, já que entra ano e sai ano, e os efeitos de chuva da Codemasters continuam os mesmos, o que mais atrapalha na chuva dos jogos da Codemasters são as gotas na câmera. E você perde um pouco da imersão ao ver que as gotas no carro não são afetadas pela velocidade. Só trazendo um contraponto, na minha opinião, Project Cars 2 tem um bom efeito de chuva.

Infelizmente, a Codemasters não ouviu meus pedidos para uma dublagem mais esportiva no F1 2020, logo, recomendo que mude o idioma de seu sistema para inglês, porque a dublagem BR do jogo é igual a do ano passado, genérica e sem graça. Já a dublagem original, traz as mesmas vozes do ano anterior (e o anterior), dando um toque mais imersivo ao jogo (ao menos comparado a versão BR), temos a dupla Crofty e Davidson, além de Jacques e Valsecchi na F2, além de Will Buxton, dando as caras na série. Os dubladores dos personagens fictícios (Emma, Jeff e Claire) também executam seus trabalhos de forma competente.

E, apesar de eu não ser necessariamente um especialista nisso, mas dessa vez, os motores do jogo estão com sons parecidos com o de suas contrapartes reais.

Finalizando, honestamente, eu recomendo F1 2020. Mas é aquilo, apenas se você for fã da categoria. Trazendo uma experiência nova e ao mesmo tempo familiar, ele melhora o que havia de bom em F1 2019 e tira o excesso de filler do jogo anterior. Ainda existem arestas a serem aparadas para futuros jogos e problemas a serem consertados neste, mas a Codemasters entregou um jogo excelente que dá aos fãs de F1, o gosto de estar no grid e escalar até o topo.

F1 2020 está disponível para PS4, PC, Xbox One e Google Stadia.

A análise foi feita com base na versão de PS4, adquirida por mim.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.