Jogatina Carioca

É notável que o público do Rio de Janeiro sofre com a falta de eventos voltados para o nicho gamer. Aqui no site, já cobrimos por dois anos seguidos a GameXP, evento de grande porte realizado pelo mesmo pessoal do Rock in Rio, que mesmo com grande estrutura, deixava a desejar em conteúdo que valesse o dinheiro investido.

Após esse evento, não havia acontecido nada de relevante na cidade, até que foi anunciada a GAME EXPO RIO, evento realizado pela Potatoh! Entretenimento na Faculdade Univeritas, na unidade do bairro do Flamengo, na zona sul do Rio. A localização foi muito bem escolhida, pois a região é de fácil acesso devido a proximidade do metrô e de diversas linhas de ônibus, além de fugir da Barra da Tijuca (um pouco mais complicado de chegar) e do Centro, onde já estava rolando blocos de pré-carnaval.

A proposta do evento foi bem simples: venha, jogue, divirta-se, compre coisas, fale sobre games e tenha uma tarde agradável, tudo por módicos R$12,00 (na pré-venda). Adianto que pelo valor, foi excelente.

Impressões da área interna

Chegamos — eu e minha senhora — por volta das 11 horas, no horário exato da abertura do evento. Sem muito atraso, logo as catracas foram abertas e demos de cara com o ambiente principal, uma área ligeiramente apertada, com alguns estandes beeem bagunçados, parecendo até uma feira livre, e alguns consoles, sendo dois PS4, um N64, um SNES e dois arcades com The King of Fighters. Confesso que para o meu gosto, estava ótimo. Boa variedade de videogames e boa escolha de jogos, como Smash Bros, Mortal Kombat 3 e Mario Kart 64.

O problema é que juntaram essa área de jogatina com a das barraquinhas de quinquilharias e com isso sobrava pouco espaço pra olhar ou mesmo esperar a vez de jogar, sem falar que o calor típico da cidade não favorece aglomerações de pessoas em lugares fechados e apertados.

Sobre as tais barraquinhas, tinha muita coisa que se vê vendendo em eventos de anime: bonequinhos piratas por preços acima do dobro cobrado no AliExpress (que é a provável origem deles), chaveiros, camisetas, pôsteres, etc. Um destaque para um pessoal que trouxe consoles retrô para venda, com preços muito bons. Cheguei a namorar um Dreamcast com dois controles que estava custando 400 reais, porém meu bom senso me impediu, ainda que mais tarde eu tenha voltado pra pegar um controle novo de N64.

Impressões da área externa

Ainda que tenham apertado quase 70% do evento na área interna, ainda usaram a quadra da faculdade, que por sua vez ficou bem espaçosa já que a maior parte dos estandes estava na parte fechada. Aqui, colocaram mais duas barraquinhas, uma com comidas asiáticas e outra com artesanatos de games/anime feitos à mão. A menina dessa loja foi muito simpática conosco e quase me fez levar um Ryu pixel-art que ela fez com material emborrachado. Pra quem quiser conferir o trabalho dela, vejam o seu instagram: @pixiecatt_ .

Sobre a parte de games, que é o que importa realmente, tínhamos mais consoles aqui, com o já clássico Just Dance e FIFA, além de Street Fighter II, todos rodando em PS4.

Pra completar, ainda tínhamos alguns estandes com a galera indie, que sempre traz seus jogos pra divulgação. Eu não conferi em mãos, mas todos — sem excessão — pareciam ser feitos em pixel-art, estilo esse que pra mim já está um pouco batido, mas gosto é gosto, e muita gente estava testando seus jogos.

Palestras

game expo rio

Talvez o grande forte desse evento tenha sido as palestras / bate-papo. A organização dessa parte foi feita pelo pessoal do Zona E, que trouxe nomes relevantes do cenário de games, principalmente com foco em retrogaming. Segue a lista das palestras que aconteceram no evento.

  • “Os hábitos do gamer brasileiro, ontem e hoje”, com gente do Jogo Véio, Meia Lua e Teoria Geek;
  • “A bolha no mercado retrô gamer”, com pessoal da Warpzone, Alexandre Ribeiro (colecionador de jogos) e o já conhecido de todos, Velberan;
  • “Os clones de NES no Brasil”, com Warpzone, CloNES e o Marcos Felipe, dono da antiga Chrono Games 2004, loja que fechou esse ano aqui no Rio;
  • “Elas dominam os games” com Morena, Lu Felixya (streamers) e Mariana Ramalho (promotora de eventos de eSports que também já trabalhou na Brasil Game Show);
  • “Street Fighter e os eSports”, com Mestre Ryu, Juliana Marrafa e ShoguN;
  • “Filmes sobre os games: Os erros e acertos do mercado”, com Henrique Granado, Carlos Voltor (Voltorama e Jovem Nerd) e Rodrigo Coelho (Coelho no Japão).

Eu pude acompanhar as três primeiras e o papo foi de altíssima qualidade. Houve espaço pra perguntas do público e como essa parte foi feita no auditório da faculdade, estava bem confortável, fazendo com que muita gente até ficasse lá sem fazer nada pra evitar o calorão da área externa.

Foi bom ver figuras como Velberan vindo pro Rio de Janeiro, mesmo que seja pra um evento de menor porte. Destaque para o papo sobre os clones de NES, pois foi uma forma de divulgação do futuro livro da Warpzone sobre o tema, que acredito ser pouco discutido, até mesmo entre o pessoal das antigas.

Conclusão

Foi notável que houve um esforço hercúleo da organização da Potatoh em criar um evento relevante, mesmo de pequeno porte. Trouxeram gente de fora do estado para bate-papos, produtores indies e expositores, tudo isso por um preço totalmente abaixo do que se cobra normalmente hoje em dia, e sendo assim, evito aqui qualquer crítica ao trabalho feito por eles. Realmente estão de parabéns.

Para futuras edições, seria legal se organizassem melhor os expositores e todo o espaçamento das áreas de modo geral. Além disso, por se tratar de um evento de games, podem trazer mais gente vendendo jogos e afins, pois ficou muito limitado a conteúdo nostálgico.

Um outro adendo que não foi culpa da organização, é de que não haviam bebedouros disponíveis. Com a crise de água na cidade, a própria faculdade deixou os registros fechados, e pra se hidratar, ou você trazia de casa ou comprava água e lanche na cantina, o que é de certa forma uma bola fora de qualquer maneira.

Sendo assim, por ser o primeiro — de possíveis muitos — eventos GAME EXPO RIO, o resultado foi muito positivo e espero que tudo só melhore daqui pra frente, já que o carioca merece e quer consumir esse tipo de entretenimento.

Author: Tony Santos

Proto-engenheiro eletricista, amante dos bons jogos e crítico incondicional de coisas que eu não gosto.