Shovel Knight é um dos melhores exemplos de um projeto financiado no Kickstarter que não apenas entregou o que prometia, mas foi ao infinito e além, se tornando um exemplo de como fazer um jogo retro, sendo ao mesmo tempo moderno.

E desde seu lançamento, o jogo recebeu duas outras expansões, Plague of Shadows, estrelando o astuto Plague Knight e Specter of Torment, onde o herói é o atormentado Spectre Knight, cada uma não apenas expandindo o mundo de Shovel Knight, mas acrescentando variedade na jogabilidade, fazendo com que o valor agregado a sua compra elevasse imensamente.

E, óbvio, para cumprir as últimas metas estendidas da campanha, para esse ano foram anunciadas as  expansões “King of Cards” e “Showdown”. King of Cards é uma aventura estrelando o Bufão King Knight, e Showdown é um jogo versus, para até quatro jogadores, no melhor tipo Super Smash Bros.

Deixemos Shovel Knight Showdown pra outro dia, e falemos de Shovel Knight: King of Cards. O jogo é uma prequel, e mostra as desventuras de King Knight, que quer se tornar o Rei das Cartas, mas para isso ele precisa derrotar os três Árbitros do Joust e conseguir a Coroa do Joust.

A estrutura da campanha do King Knight é totalmente diferente das campanhas anteriores. Enquanto que nos jogos anteriores, você passeia por fases relativamente longas (não muito longas, sendo honesto), aqui o jogo é dividido em diversas fases curtas, com um ou no máximo dois check points.

Claro, são várias fases nos mesmos cenários do jogo original, mas não são as mesmas fases, cada fase tem um design único e alguns cenários não muito explorados (como a lagoa do Rei Truçã) se transformaram em fases desafiadoras.

E desafio é uma constante em King of Cards. Apesar do desafio ser mais auto imposto do que parte do design do jogo. Porque, enquanto que nas campanhas anteriores, apesar de poder completar as fases na ordem que quisesse, para prosseguir adiante ainda era obrigatório concluir todas as fases com chefes. Isso não acontece em King of Cards.

Algumas das fases do jogo tem múltiplas saídas, tal qual Super Mario World, basta achar uma entrada secreta (às vezes nem tão secreta assim), um som irá tocar (e terá uma placa com uma seta na cor vermelha), indicando que a saída secreta é por aquele caminho. E claro, o caminho pra essa saída secreta é mais difícil que o caminho regular, aumentando seu desafio.

Eu contei que o jogo é dividido em várias pequenas fases, e isso é refletido em diversos gimmicks no qual as fases se baseiam, sejam tornados que te teleportam, gelo que escorrega, paredes nas quais não é possível quicar, dentre outros. A variedade traz uma maneira de jogar menos linear e direta, como no Shovel Knight original, e algo mais pensado.

O desafio do jogo é crescente, culminando (como sempre) na Torre do Destino, onde a Feiticeira nos espera. E é possível que durante o seu caminho, você acabe vociferando alguns impropérios por conta de mortes… Especialmente quando se está a centímetros do fim da fase.

A jogabilidade é diferente, o ataque principal do King Knight é uma ombrada que ao atingir o inimigo ou as paredes, faz com que ele suba rodopiando, rodopio que pode ser usado pra quicar em certos elementos do cenário, ou nos inimigos. E essa gimmick, utilizada com alguns power ups, é bastante útil para atravessar as fases, conforme a dificuldade aumenta.

Os power ups são variados, e oferecem desde um ataque que faz com que o King Knight cruze a tela toda, a uma bolha que o faz flutuar (e é útil para atravessar certos abismos). Claro, que a utilidade de seus power ups é definida pela sua jogatina, então o que pode parecer inútil pra mim, é uma mão na roda pra você. É divertido testar os power ups.

Como o jogo se passa antes dos eventos principais de Shovel Knight, a Ordem dos Cavaleiros Inclementes ainda não fora formada, logo, não são eles os chefes que você enfrentará na aventura principal. Mas, assim como os errantes em Shovel Knight, eles aparecerão em sua jornada pelo mapa, e é um extra divertido enfrentá-los.

Dito isso, os novos chefes são o Rei de Brejorgulho, o Rei Truçã e o Passarorror-Rei, que trazem um novo desafio, porque são padrões novos de ataques, que precisam ser aprendidos até a vitória.

Por fim, uma novidade trazida, são as partidas de Joust. Joust é um jogo de cartinhas no qual o objetivo é encher o tabuleiro com as cartas, mas não apenas isso, mas conquistando a maior quantidade de jóias que estão disponíveis.

É um jogo simples, você tem um baralho com 16 cartas que possuem setas apontando para certas direções. Essas setas podem ser usadas para empurras suas cartas ou as do oponente. Você não pode empurrar cartas que tenham uma seta apontada na direção oposta ou caso o lado de fora do tabuleiro (um espaço extra ao redor do tabuleiro) esteja ocupado. Parece um pouco complicado, mas funciona de maneira simples… Embora os duelos contra chefões nos clubes de Joust sejam difíceis, pois eles possuem habilidades extras.

Graficamente, é a mesma beleza pixelada que Shovel Knight sempre foi, com cenários bonitos e sprites bem animados. Os novos cenários (como a lagoa do Rei Truçã, que no original não tinha muito a se mostrar) adicionaram ao jogo, e mesmo cenários conhecidos ganharam retoques para dar um ar de novidade (como em Specter of Torment). O jogo também adicionou alguns inimigos e elementos novos aos cenários, ainda que alguns sejam só variantes gordas de velhos inimigos.

A trilha sonora… Bem, é o Jake Kaufmann, né? Aqui, as músicas originais e os remixes de Specter of Torment fazem sua reaparição, além é claro, de musicas novas em folha. As novas músicas são tão boas quanto as anteriores, é até redundante falar isso, mas a trilha de Shovel Knight é um dos pináculos do chip tune 8-bit moderno.

O único revés contra Shovel Knight atualmente é o preço… Na PSN Brasileira, o Shovel Knight Treasure Trove, que contém as quatro campanhas, mais o Showdown sai por salgados 143,50 (versão de PS3/Vita que dá direito a de PS4, porque a de PS4 é 149,90).

Por fim, Shovel Knight: King of Cards é um jogo que expande o universo de Shovel Knight e traz uma jogabilidade nova, que é simples de executar, mas difícil de dominar. Se você já tem Shovel Knight, vale a pena baixar ele novamente pra ter a nova campanha, e se você não tem… Espere uma promoção.

Shovel Knight: Treasure Trove está disponível para PC, PS3, PS4, PS Vita, Wii U, 3DS, Switch e Xbox One.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.