Shenmue é um um daqueles jogos que ao surgir durante qualquer conversa sobre grandes clássicos do passado, eu sou o cara que o vai banhar em elogios. Eu tive o prazer de ter tido acesso ao saudoso Dreamcast na infância e consequentemente Shenmue. Por essa razão o lançamento de Shenmue 3 foi algo que despertou um certo receio, uma vez que nostalgia é algo que nos prega peças.

Por sorte a SEGA decidiu lançar um pacote com os dois primeiros títulos da franquia (que podem ser comprados separadamente) totalmente remasterizados para a geração atual: Shenmue 1 e 2 HD Remastered.

Com o titulo em mãos resolvi voltar a Yokusuka e auxiliar Ryo em sua busca de vingança, mas será que a experiência atual seria tão gratificante quanto o impacto causado pelo jogo no passado?

Vamos descobrir

Uma das coisas que torna Shenmue tão querido pra mim, não é a sua história, mas sim a imersão que você consegue ter com a cidade e seus moradores. Mas para deixá-los a par do enredo, contarei a respeito: Ryo Hazuki, é um jovem estudante que depois de assistir seu pai ser assassinado e tomar uma surra por tentar conter o algoz de seu pai. Foi tomado pelo sentimento de vingança, assim abandona totalmente sua rotina de estudante e passa a dedicar os seus dias a investigação para descobrir os motivos que culminaram no assassinato de seu pai.

Com isso em mente, você controlará Ryo por toda a cidade a procura de pistas que possam o levar ao assassino. Como um bom filme investigativo, você sai por ai conversando com todos e buscando qualquer coisa fora do comum que tenha ocorrido naquele dia. O que é interessante, é que toda informação relevante é anotada automaticamente pelo personagem em um caderno, isso vai desde endereço de lojas, número de telefone, placas e etc…

Esse elemento investigativo torna o jogo lento e esse é um ponto que certamente pode afastar muitas pessoas, uma vez que Shenmue é muito honesto em sua proposta ao meu ver. Ele não tenta ser um jogo de combate ou tampouco te dar liberdade para que você saia por ai socando pessoas aleatoriamente.

Lembre-se, existe um proposito para tudo o que está acontecendo, você é só a mão que guia o personagem, pois Ryo tem uma personalidade taciturna e isso causa uma reação em cada uma das pessoas com quem  ele interage.

Para se ter uma ideia o personagem é “gente como a gente” e precisará pegar ônibus para alcançar localidades mais distantes, o que te dá outro setor do mapa para explorar e conhecer uma nova rotina e outras figuras interessantes, além de também um emprego como operador de empilhadeira no porto dessa região – E até piloto de corrida de empilhadeira.

O personagem também aprende a medida que avança em sua busca, pois pode adquirir golpes com outros personagens, mas isso é algo que vai depender do jogador ir atrás de mais experiência de combate para Ryo. Há mestres espalhados e com eles novas técnicas poderá tornar o personagem em uma maquina de combate.

São esses detalhes que tornam Shenmue tão memorável e que ao mesmo tempo o distancia de muitos jogos de sua época, pois a história está lá, pronta para você desbravar e dar continuidade, mas você se quiser pode passar os dias explorando a cidade ou enfurnado na casa de arcades, ou torrar toda a sua mesada em gashapons.

Oras, quem vai julgá-lo?

A cidade de Yokusuka é linda e tem toda as particularidades que só uma cidade dos anos 80 no Japão pode oferecer. Ah, uma curiosidade é que os desenvolvedores tiveram todo o cuidado de replicar até mesmo o clima da cidade naquela época, então se estiver chovendo no dia em que tu sair com Ryo, certamente choveu de verdade naquele dia e ano.

São detalhes como esses que tornam Shenmue tão atemporal, porque se você o comparar ao que temos hoje, ele certamente vai deixar a desejar em aspectos que gameplay. Oras, por muito tempo eu tive Yakuza do PlayStation 2 como um sucessor espiritual para Shenmue, alias, não é difícil você encontrar pessoas que digam que o titulo da SEGA seja um Shenmue melhorado. O que eu discordo vide as observações que fiz até o momento.

Não sei se dá para chamá-lo de precursor do gênero sandbox, pois o Hunter do Amiga (1991) leva o titulo segundo a Wikipedia, mas Shenmue certamente contribuiu para o gênero narrativo repleto de Quick Time Events (QTE) que inundam o mercado atual. Também acho interessante lembrar que seu desenvolvimento começou ainda durante a era do Sega Saturn, mas demandou tanto trabalho e dinheiro que acabou saindo no Dreamcast, ou seja é curioso lembrar o quão visionário foi Yu Suzuki.

É preciso também compreender que em seu tempo não havia nada igual, Shenmue foi totalmente inovador tanto visualmente quanto tecnicamente. Por ser tão a frente do seu tempo, causou estranheza e não se tornou um sucesso comercial, o que só agravou a situação da SEGA naquela época, mas isso é outra história a ser contada no caso de não ter ideia do caso.

Quanto ao jogo em si, se ignorarmos todos os detalhes técnicos e a história por de trás de sua produção, ainda teríamos um ótimo jogo de investigação com uma boa história e um excelente sistema de combate com o plus de uma ambientação incrível.

Se houve mudanças nessa versão remasterizada, certamente foi a questão gráfica. O jogo está claramente mais nítido e bonito com detalhes que passaram despercebidos por nós, além de ter sido adequado as TV atuais, mas fora isso não há mais nenhum tipo de mudança no gameplay.

A câmera do jogo é algo que realmente incomoda em alguns pontos, nada que possa estragar toda a experiência, mas atrapalha. Os controles também não mudaram muito. Depois de anos jogando games mais recentes e com jogabilidade convencional, leva um tempo para se adaptar a ele, mas depois que se pega o jeito isso não se torna mais um incomodo. A Sega fez aqui apenas um port do jogo para as gerações atuais sem nenhum tipo de modificação drástica.

Bem, eu falo de Shenmue sempre embalado por muita nostalgia.Tive bons momentos explorando as ruas de Dobuita e Yokusuka Harbor, e sempre que lembro do quão espetacular foi vivenciar isso no passado, aquele Diogo moleque ainda sorri.

Uma parte de mim sempre lembra com muito carinho desse clássico, e sua remasterização lançada ano passado para os consoles da nova geração foi a oportunidade perfeita de revisitar e se preparar para Shenmue 3.

Espero que tenham gostado do artigo, e se não gostara deixem suas impressões nos comentários. Não queria fazer apenas um review técnico de Shenmue e por meses fui modicando o texto, assim optando por uma abordagem diferente e que conseguisse expor toda a experiência que tive no passado e nos dias de hoje.

Essas lembranças boas só puderam ser revisitadas graças a SEGA que nos forneceu uma chave digital de Xbox One para avaliarmos o jogo.

Author: Diogo Batista

Criador e Editor-Chefe do Arquivos do Woo, além de ser um eterno apaixonado por retrogames e RPGs clássicos. Sua rede social favorita é o Twitter: https://twitter.com/cyber_woo Sigam-me os bons, maús e os feios !!!