Quantos jogos são lançados toda
semana? Todo mês? Todo ano? A resposta, certamente é MUITOS. Então,
obvio que muitos jogos vão passar batido por você, em meio aqueles
lançamentos que queremos jogar. Nesse mês de janeiro mesmo, com
Kingdom Hearts 3 e o remake de Resident Evil 2, nem percebemos que
Bard’s Tale
saiu em uma versão remasterizada


A razão dela ter sido
lançada? Não faço a mínima ideia, já que a maior fama do jogo é
uma brincadeira que a publisher colocou no disco de jogo. Mas não é
sobre o remaster de Bard’s Tale que estamos falando.


O meu ponto é, em meio a essa
caralhada de lançamentos, sempre haverão jogos ignorados, que
quando os compramos, nos deparamos com algo que difere do padrão
visto na indústria, recompensa com uma experiência nova, ou se não
é nova, pelo menos sai um jogo tremendamente divertido. Yasai Ninja
NÃO é um desses jogos.


Lançado em 2015, pelo estúdio
espanhol Reco Technology, Yasai Ninja conta a história de Kaoru
Tamanegui
e Joe Broccoli, um samurai e um ninja que saem em busca de
vingança contra o terrível lorde Kyurinaga, que deseja matar o
imperador e se tornar rico, dominando a terra onde eles vivem. Ah
sim, todos os personagens de Yasai Ninja são vegetais, Kaoru é uma
Cebolinha, Joe é um Brócolis e boa parte do exército de Kyurinaga,
incluindo o próprio, são pepinos. E essa é a melhor parte do jogo,
porque daqui pra frente…

O jogo mistura etapas num hack’n slash
em 3D e fases de plataforma em 2D, e vamos falar sobre os controles
das etapas 3D. Primeiro, vamos nos ater ao fato de que o jogo usa a
Unity, então já dá pra prever que tipo de problemas ele terá. A
colisão é um lixo e você não sente impacto algum em seus golpes
ou nos golpes de seu inimigo. Tirando isso do caminho, a câmera do
jogo é uma bosta, não por se mexer muito ou coisa do tipo, mas
simplesmente por ela simplesmente ser ruim mesmo, só jogando pra
saber.


Em alguns momentos do jogo você tem
que subir escadarias, ok. Mas não dá pra pular enquanto se está
nas escadas, por alguma razão escrota. Passemos para os puzzles,
sim, o jogo tem alguns puzzles. Com exceção de dois puzzles
específicos, um numa boss battle e um que deve se ficar trocando de
personagem pra passar de uma sessão de plataformas, a maioria deles
são risíveis, piorando quando e tem que empurrar certos objetos com
o Kaoru Tamanegi, os controles são um completo cocô.

O combate é escroto. Combinando com a
colisão cocô da Unity e os controles ruins, temos um festival de
merda aqui, que nem o sistema de aumento de nível dos personagens
salva, sistema esse que aliás parece funcionar de maneira totalmente
aleatória. Tipo, eu estou matando personagens de uma fase quando
repentinamente pipoca na tela que eu tenho um novo combo, ou minha
vida máxima aumentou. E a batalha final contra Kyurinaga é imbecil,
primeiro porque Kyurinaga não oferece perigo real, e segundo porque
pra alongar, quando a barra de vida do Kyurinaga está próxima do
fim, ele enche ela duas vezes.

Caramba, quase esqueci de falar das
etapas em 2D. Existem algumas fases em 2D… Que são igualmente
desgraçadas, porque basicamente não existe ação, é só ir do
ponto A ao B, mas até nisso o jogo é um pedaço de lixo. O design
dessas etapas é igualmente lixoso, porque ele te obriga em boa parte
do tempo a usar o pulo duplo, tem horas que o cenário se confunde
com as plataformas, pra um jogador de primeira viagem vai ser difícil
acertar certos pulos sem morrer no mínimo uma vez. E tem momentos
que o ângulo da etapa vai mudar pra um pseudo 2.5 que vai ferrar com
sua perspectiva, causando obviamente, mais mortes.


Visualmente… É genérico. As
cutscenes são mostradas num estilo de quadrinhos, mas não se
destacam em nada, os cenários são igualmente genéricos e sem vida.
O design dos personagens? Bem, vai de você curtir vegetais ou não.
Mas dá pra ver que Broccoli Joe foi claramente inspirado pelo Afro
Samurai. Talvez algum vegano curta o visual dos personagens…

Sonoramente… As musicas aparentemente
foram compostas pelo veterano G.N. Erick, porque elas são tão sem
sal quanto um picolé de chuchu, ou Last of Us. Existe a dublagem do
narrador, que é… Japonesão genérico. Efeitos sonoros são…
Qualquer coisa. Deu pra ver que pelos últimos dois parágrafos, a
minha paciência pra falar de Yasai Ninja foi pro saco.

Finalizando, PASSE LONGE DESSE JOGO.
Evite-o a qualquer custo, se encontrar uma cópia física (saiu na
Europa em mídia física), destrua-a, ou dê de presente pra alguém
que odeia. Jogos ruins podem ser divertidos, esse aqui não é.

Yasai Ninja está disponível para
PlayStation 4, Xbox One e PC. Esta análise foi feita com uma cópia
que tive o desprazer de pagar com meu próprio dinheiro.Nunca deletei
um jogo do HD tão rapidamente.

Abaixo vocês podem conferir o trailer do jogo:


Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.