De verdade, eu não queria ter que
escrever esse artigo. Sério, mas depois de muito ponderar,
disse-me-disse, decidi fazê-lo. Eu sou um defensor da liberdade de
expressão. Sim, se você quiser ir no meu twitter me xingar, ou no
meu canal do
Twitch, ou nos comentários dos vídeos que posto no
youtube, você tem todo o direito. Desde que você não me agrida
fisicamente, está de boa.


Fazem uns dez anos que consegui comprar
meu primeiro console com dinheiro próprio, e de 2008 pra cá, eu
comprei cerca de sete consoles, dos quais cinco eram da marca
Playstation (dois Playstation 2, um PSP, um PS3 e desde Agosto desse
ano, um PS4). Durante esse tempo, cheguei a conclusão de que a marca
Playstation em si me passava confiança, era onde eu podia ter o
melhor dos dois mundos, desde os jogos bacanas desenvolvidos no
ocidente, até os jogos de nicho feitos por produtoras japonesas. Mas
de um tempo pra cá, eu não sei…


Sem rodeios, de uns tempos pra cá, a
Sony começou a adotar uma política de censura nos jogos publicados
nas plataformas da empresa. Isso começou a ser notado quando a Sony
simplesmente VETOU a publicação de Omega Labyrinth Z, um RPG cuja a
tradução ocidental pro PS4 e pro Vita estava PRONTA. A razão?
Fanservice porque são menininhas em estilo anime.

Isso aqui é só uma conjectura minha,
mas creio que o aumento nas roupas em Dead or Alive 6 também tenha
sido coisa da Sony, e a Koei só jogou aquele Jebaited de blá blá
blá competitivo pra trollar a mídia SJW e a própria Sony (Porque
sabemos que as físicas dos bom bons das lutadoras continua).

Mas seguindo a história, temos
desenvolvedores japoneses reportando que a Sony exigiu que os
produtores colocassem raios de luz tapando partes do corpo de
personagens em uma visual novel. O que é esquisito e ridículo, mas
vou falar sobre isso mais pra frente.

O pessoal da XSEED teve de adiar
levemente o lançamento ocidental de Senran Kagura Burst Re:Newal,
porque a Sony exigiu que fosse removido o Modo Intimacy (onde é
possível interagir com as personagens, da maneira pervertida que a
franquia é) da versão de PS4 (a versão de PC terá o modo intacto)

A versão de PS4 da visual novel
Nekopara foi adiada em quase quatro meses com relação a do Switch,
porque a Sony novamente exigiu que o controle do balançar dos peitos
das personagens fosse removido, além de adicionarem mais vapor nas
cenas de banho.

Recentemente a Idea Factory anunciou as
localizações de alguns de seus jogos para o ano que vem, e claro,
as versões de PS4 vão passar pela faca da Sony. Não tenha sombra
de dúvidas.

E por último (pelo menos até o
momento), a Koei recentemente anunciou uma versão turbinada de Dead
or Alive Xtreme 3
(Que originalmente era de PS4 e Vita, com uma
versão Free to Play pro PC, intutulada Venus Vacation), aliás, jogo
esse que não veio pro ocidente por causa da imprensa SJW. Pois é,
Dead or Alive Xtreme 3: Scarlet vai passar pela faca da Sony,
enquanto que a versão do Switch vai chegar intacta ao mercado.

O que isso tudo tem em comum? Jogos
japoneses de nicho com menininhas no estilo anime (no caso de Dead or
Alive, belos modelos 3D com corpos lindos) sofrendo censura.


A coisa tá tão feia, que basta abrir
um site que não seja dominado por pautas SJWs, e qualquer notícia de
jogo japonês sendo localizado, vai ter pelo menos um comentário
perguntando: “Como a Sony vai passar a faca nesse jogo?”

Triste ver uma plataforma que era
sinônimo de refúgio para os jogos japoneses, se transformar numa
máquina de ceifar conteúdo. Eu sei que boa parte desses jogos não
vão passar pelo meu console pela simples razão de eu estar
desempregado, mas enfim.

Vídeo games deixaram de ser coisa de
criança fazem vinte anos, desde a geração PlayStation, onde as
produtoras perceberam que os jogadores cresceram, logo eles se
sentiram mais livres pra adicionar temas mais direcionados ao público
adulto, desde densidade em RPG’s e violência gráfica e todo tipo de
coisa. E boa parte dos jogos que citei sendo censurados, tem como
público-alvo justamente jovens e adultos. E nenhum deles (incluindo
as visual novels) possui conteúdo sexual explícito.

Um adendo: Geralmente, quando se porta,
ou cria uma visual novel para consoles, você não coloca cenas de
sexo explícito, porque isso fará com que seu jogo ganhe
classificação Adult Only (não sei como funciona na PEGI e na
CERO), o que fará com que menos lojas coloquem seu jogo a venda, o
que diminui MUITO as chances de você ter boas vendas. É por isso
que quando visual novels como Kanon, Nekopara ou Deardrops vão para
algum console, os produtores fazem delas versões All-Ages, removendo
o conteúdo sexual, para atingir um público maior e gerar mais
vendas.


Dito isso, quem a Sony quer proteger
com essas censuras? Não podem ser as crianças, já que esses jogos
NÃO SÃO PARA CRIANÇAS. “Ah, mas as crianças podem acabar
topando com eles na PSN e comprando e blá blá blá”. Se você
deixa o controle da sua PSN com algum menor de idade e não aplica
nenhum controle parental, sem contar o Cartão de Crédito livre, a
culpa é totalmente sua e não dos jogos. E garanto, não são todas
as crianças que vão ver aquelas menininhas bonitinhas e vão querer
jogar aquele jogo. Muitas vezes são jogos com MUITO TEXTO e criança
em geral detesta ler.

A quem a Sony quer AGRADAR com essas
censuras? Aí chegamos ao ponto principal desse texto. Recentemente,
a industria e imprensa ocidental de jogos tem sido tomada por
justiceiros sociais, gente que faz militância online, alegando lutar
por causas nobres, mas que não passam de hipócritas querendo   agradar o próprio ego. Qualquer coisa se torna ofensiva, sexista,
machista ou racista. Só que a horda, além de ególatra, é
ignorante em relação ao mundo. Porque afinal de contas, fodam-se as
meninas que foram condenadas a levar chibatadas no oriente médio por
dançarem em um vídeo, o que é machista, sexista e opressor é Dead
or Alive
, um jogo de luta que tem mulheres bonitas.

Muita gente vem ignorando essas
atitudes da Sony, porque “Eu não jogo esses jogos de otaco
fedido”, só que essas pessoas não se dão conta, de que quando
menos perceberem, isso vai estar afetando os jogos maiores que ela
gosta, ou não… Não sei como a Sony reagiria a uma sacola cheia de
dinheiro, mas o futuro, do jeito que anda, é medonho. Tenho medo de
que em um provável Persona 6, a versão ocidental lime a chance de
formar relacionamentos com as personagens, ou mesmo interagir com
elas, por conta dos SJWs que vão considerar você falar com uma
pessoa do sexo oposto é assédio.

Mas enfim, encerro por aqui
questionando como a Sony chegou a esse ponto e se a situação é
reversível. Porque eu sei que jogos já foram censurados no passado,
várias coisas mudam de uma região pra outra, mas enquanto que
durante muito tempo, a industria ocidental evoluiu, agora parece
estar regredindo. E não é graças aos conservadores, mas graças
aos supostos progressistas que se ofendem com ficção e ignoram a
realidade.

Author: Geovane Sancini

É escritor e SpeedRunner, sempre teve paixão pela leitura e escrita desde pequeno, assim como os videogames. Entre um livro e outro, ele sempre encontra tempo para bater seus recordes pessoais em algum jogo, na maioria das vezes falhando miseravelmente. Mas ele é brasileiro e não desiste nunca. Exceto em Doomsday Warrior. Doomsday Warrior ele desistiu.