Acho que não é surpresa de ninguém
que eu sou putinha do gênero musou, isso vem lá por meados de 2008,
quando joguei pela primeira vez, Sengoku Basara 2 Heroes no PS2 (jogo
que hoje sou recordista mundial na categoria Story: All Heroes), e
que eu queria jogar novamente, mas meu PS2 pifou. Anyway, de lá pra
cá eu joguei muita coisa no gênero, algumas coisas boas e outras
ruins (ouviu isso, Bleach do PS3? Você é uma MERDA).

A série Warriors Orochi surgiu em
2007, como um crossover entre Dynasty Warriors e Samurai Warriors,
além de personagens advindos das mitologias chinesa (Da Ji) e
japonesa (Orochi), e onze anos depois, ela chega ao seu quarto
título… Que não é necessariamente o quarto lançado, porque
temos aí Musou Orochi Z e a versão Ultimate de Warriors Orochi 3, o
Z é uma compilação pra PS3 e PC do Warriors Orochi 1 e 2, e o
Ultimate dá uma recauchutada nas mecânicas do 3, além de adicionar
uma segunda história e ainda mais personagens


Então, quando Warriors Orochi 4 foi
anunciado este ano, eu molhei minhas calças de excitação, mas não
porque era mais um Warriors e sim porque anunciaram que o jogo
mexeria também com a mitologia grega, que graças a Cavaleiros do
Zodíaco e Percy Jackson, eu virei putinha deles também. Agora que o
jogo saiu, será que ele vale a pena o seu dinheirinho? Segue aí que
vou contar.

Alguns anos se passaram, desde que os
lordes japoneses, juntamente com os heróis chineses e os vagabundos
do reino místico (além do pessoal de Dead or Alive, Ninja Gaiden,
Atelier, e outras franquias da Koei Tecmo) chutaram a bunda de Orochi
e selaram a raposa de nove caudas dentro do Naruto… (não pera, não
foi dentro do Naruto, mas realmente prenderam a Kyubi em Warriors
Orochi 3 Ultimate). Enfim, eles derrotaram o mal, afastaram o
temporal e cada um retornou ao seu mundo sem se lembrar de nada, e
eles podiam voltar a fazer o de sempre, guerrear entre si, em
batalhas que seus personagens favoritos das séries morrem, mas os
babacas ficam vivos.

Certo dia, Naotora Ii, seu filho
Naomasa e Tadakatsu Honda estavam a caminho de mais uma dessas
batalhas, quando eles são envoltos em uma névoa mística e vão
parar em um outro mundo, onde em meio a batalhas, descobrem que dessa
vez, Zeus usou o poder de Orochi para recriar o mundo onde os heróis
da China e do Japão pudessem lutar porque motivos. Aos poucos os
heróis vão descobrindo que o buraco é sempre mais embaixo e se
vêem no meio de uma contenda entre três facções.

A história é um pouco mais densa do
que essa mera explicação de dois parágrafos onde enchi linguiça
falando bobagens, mas apesar de ter 170 personagens jogáveis (feito
que levou o jogo a receber um prêmio do Guiness Book), a história é
bem amarradinha e funciona, com cada personagem tendo sua
participação de um modo ou outro do enredo, mesmo que você deseje
que alguns personagens tivessem mais impacto do que outros. Mas esse
sou eu implicando pelo fato de Guan Yinping ter recebido um bocado de
atenção (suspeito eu que tenha relação com a enquete de waifus de
Dynasty Warriors realizada pela Famitsu, onde ela foi a primeira
colocada).

A jogabilidade é um mix de Dynasty
Warriors 8: Empires, com Samurai Warriors 4-II, sendo que cada
personagem funciona como em seu jogo de origem, tendo eles um ataque
comum, e um ataque potente, se são personagens de Dynasty Warriors
ou Warriors Orochi, ou um ataque comum e um hiper ataque (no qual o
personagem ataca com uma espécie de dash) se o personagem é de
Samurai Warriors. Ambos tem os Musou attacks e o True Musou, que usam
a barra de Rage. Até aí, nada de novo no front, é o que se
esperaria de um musou regular. É nesse momento que entram as
novidades, trazidas da parte grega (e nórdica).

O jogo introduz os tesouros sagrados,
que dão ao usuário o poder da Magia, com isso você abre uma nova
gama de golpes e possibilidades de combo no jogo. Com o botão de
ombro (R1 no PS4, RB no Xbox One) e um dos botões de frente, você
pode usar diferentes tipos de magia, com a mais simples custando um
pouco da barra de magia (que enche sozinha, relaxe), uma magia meio
que intermediária que gasta a barra de magia inteira, e a magia mais
poderosa, que usa a barra de magia inteira, mas metade da barra de
musou. E usando o botão de ombro, mais o botão de pulo, você
invoca um cavalo, montando instantaneamente nele. O que é um alívio,
já que às vezes quando você chama o cavalo, ele demora pra
aparecer e muitas vezes ele anda em padrões esquisitos, antes de
você poder montá-lo.


Nos jogos anteriores, você montava um
trio (e em um certo modo do Warriors Orochi 3 Ultimate, montava um
quinteto), aqui você monta um trio e ganha outros quatro personagens
de suporte, que quando você sofre um dano, podem aparecer pra dar
uma mãozinha e atacar o inimigo. Mas, visualmente a ajuda desses
membros de suporte vem no golpe visualmente mais impressionante no
jogo. Junto da barra de magia, existe uma segunda barra em formato de
esfera, que vai enchendo conforme causamos dano nos inimigos e quando
ela está cheia, usando os dois gatilhos um poderoso ataque (imagine
uma genkidama atirada por sete pessoas) é desferida, o que pode
ajudar a limpar a área, arrancar um bom naco de energia de oficiais
inimigos e faz com que dropem gemas (a moeda do jogo) e XP.

Mas calma, ainda não acabou porque com
a temática grega e nórdica do jogo, temos a deificação. Na
história, Zeus usou a foice de Orochi para criar os braceletes de
Ouroboros, que contém parte da essência da Serpente Rei e poderes
de oito divindades (as quais não recordo todas), e durante a
história, oito heróis acabam tomando posse desses braceletes, são
eles Yukimura Sanada, Naotora Ii, Nobunaga Oda e Mitsunari Ishida
pelo lado de Samurai Warriors, e Zhao Yun, Guan Yiping, Lu Bu e Cao
Pi do lado de Dynasty Warriors.

O poder desses braceletes, pela
história, é ativado por fortes emoções, e dá acesso a uma forma
deificada (em alguns casos, menos roupa, não que eu esteja
reclamando disso no caso da Naotora) que funciona como o modo Rage
dos personagens normais, mas você pode usar os golpes de magia sem
gastar a barra, enquanto a forma estiver ativada.

E para ativar esses braceletes da
maneira prática, é necessário conseguir uma Lágrima Divina (sim,
estou traduzindo aqui, aliás, se quiser me contratar pra traduzir
seus jogos pra PT-BR, Koei, só me dar um toque) e essa Lágrima
Divina é conseguida quando se derrota um inimigo específico em uma
condição específica. Explicando, nos campos de batalha, existem
certos inimigos chamados de Originadores do Caos, nas batalhas,
quando você se aproxima deles, eles tornam os inimigos mais
resistentes e fortes, mas esses Originadores do Caos são fracos
contra magia, então algumas magias resolvem o caso.

Quando o seu contador de combo está
acima de 300 hits, é o momento ideal para derrotar esses caras e
conseguir uma Lágrima Divina.

O sistema de upgrade de armas funciona
como no jogo anterior, onde você adiciona atributos e elementos a
suas armas, podendo fazer com que elas fiquem mais fortes, restaurem
sua energia e até mesmo a chance de 1-hit KO em oficiais inimigos. E
o seu oficial se torna mais forte conforme ele sobe de nível, pois a
cada nível aumentado, você ganha um ponto de habilidade, que pode
ser gasto em melhorias como aumento de dano, mais combos, maior
resitência, mais HP, etc, em um grid simples de se entender.


Outra coisa que ajuda bastante no
upgrade de personagens, são os Pontos de Crescimento. A cada
batalha, você ganha uma determinada quantidade de Pontos de
Crescimento baseada nos Pontos de Experiência adquiridos na luta. E
você pode usar esses pontos como XP extra e aumentar o nível de
seus oficiais (ou aquele oficial que você quer colocar no time, mas
está abaixo do nível do time).

Eu poderia passar mais tempo explicando
algumas outras minúncias do jogo, mas isso é algo que se descobre
jogando, então vamos passar para um ponto onde o jogo brilha muito
(no Curintcha), a parte musical. Uma qualidade que sempre esteve
presente na maior parte das franquias da Koei Tecmo, é a trilha
sonora. Sério, recomendo ouvir a trilha de Uncharted Waters 2. É da
Yoko Kanno. E ela é do caralho. Anyway, lembro que ao jogar Warriors
Orochi 3/3 Ultimate, lembro que fiquei com a sensação de que a
ordem da Koei foi “enfia tecno até o cu nessa merda”, não que
eu esteja reclamando, porque a trilha de WO3 Ultimate é boa.

Dessa vez, a trilha tomou um outro
rumo, inclusive diferente de Warriors All-Stars (assunto pra outro
dia), no qual o resultado foram temas que passam a epicidade de um
conflito grandioso e divino. Temas familiares, como “Welcome to
China”, “Theme of Lu Bu” ou “Komaki Nagakute” ganharam uma
pegada mais orquestra e novos temas, como o do Perseu, não ficam tão
deslocados. Como bônus, o tema de encerramento, “Kakumei no
Masqueradeӎ bem legal.


Não sei se é feliz ou infelizmente,
mas ao contrário de Dynasty Warriors 9, Warriors Orochi 4 só possui
dublagem japonesa, e a Koei mostrou que não estava de brincadeira,
chamando seiyuus já conhecidos (no Japão e por weeaboos extremos,
eu soube porque joguei no google) para os cinco novos personagens da
franquia. A dublagem é competente, ainda que existam alguns erros de
revisão no texto do jogo (semelhantes aos que acontecem em Dynasty
Warriors 8 Empires).

Graficamente ele não é nenhum
assombro, você não vai se pegar admirando os cenários como em
Dragon Quest XI, e aqui os modelos dos personagens são
reaproveitados de Dynasty Warriors 8: Empires, Samurai Warriors 4-II
e Warriors Orochi 3 Ultimate (no caso dos personagens exclusivos de
Warriors Orochi. Temos novos personagens, vindos dos panteões grego
e nórdico, além das formas deificadas dos personagens, que ganharam
novos modelos. No geral é um trabalho competente, e os cenários são
versões modificadas dos vistos em Samurai Warriors e Dynasty
Warriors, porém com a nova roupagem, você só vai reconhecer o
layout porque iluminação e efeitos são diferentes, dando cara de
novo.



Caso você possua saves de Warriors
Orochi 3
(em nuvem), Warriors Orochi 3 Ultimate (em nuvem ou no
PS4/Xbox One), você pode usá-lo para converter a sua kill count em
pontos de crescimento, o que no começo do jogo pode dar uma boa
ajuda. E caso tenha um save de Dynasty Warriors 9, você desbloqueia
roupas de Dynasty Warriors 9 para Wang Yuanji, Yueying, Zhenji,
Xiaoqiao, Daqiao e Diaochan. E o save da versão trial/demo de DW9
funciona, então você nem precisa ter comprado o jogo.

Finalizando, olha, se você é fã do
gênero musou, Warriors Orochi 4 é um jogo obrigatório na sua
coleção, é o melhor Warriors que jogo em anos e possui horas e
mais horas de diversão. Tem seus pontos fracos? Tem, mas eles são
irrelevantes no grande esquema das paradas, então recomendo
bastante. Inclusive a temática grega faz com que eu queira um
Warriors baseado nas lendas gregas… Um Warriors BOM baseado na
mitologia grega, porque aquele Warriors: Legends of Troy é mediano
QUANDO EU ESTOU DE BOM HUMOR.

Warriors Orochi 4 está disponível
para Playstation 4, Xbox One, Nintendo Switch e PC’s. 



Este review foi
feito com uma cópia gentilmente cedida pela Koei Tecmo America.

Author: Geovane Sancini

Geovane, mais conhecido como Sancini (ou Kyo, se você for velho o suficiente pra lembrar do nick antigo dele) é um escritor e speedrunner que joga videogames desde que se entende por gente.