The Ghost in the Shell | Impressões

Ghost in the Shell

The Ghost in the Shell sempre foi uma das minhas animações prediletas dos anos 90, ao lado do maravilhoso AKIRA.

Só que, nunca tive qualquer contato com o mangá derivou as animações durante todos esses anos. Por sorte, com a adaptação de um filme ocidental chegando ao cinemas, isso possibilitou o aumento de interesse sobre o mangá original e consequentemente, interessados na publicação do mangá.

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A editora JBC, esperta, anunciou que iria publicar o mangá. Seria a primeira vez que o manga ganharia uma publicação Br em nosso país, e o melhor de tudo, em volume único.

Entrei em contato com a editora, que para minha surpresa gentilmente  cederam uma cópia para que pudesse ler e avaliar esse fantástico mangá. Peço desculpas quanto a demora, afinal, o recebi em Março, mas só consegui terminar de ler esse mês.

Mas cá está minhas impressões!

O mangá The Ghost in the Shell é bem diferente do que pensávamos com relação ao anime e filme. Posso dizer que a personalidade da Major Motoko Kusanagi difere em cada uma das obras citadas. Enquanto nas adaptações que se seguiram temos uma personagem mais séria e soturna, no mangá ela é extrovertida e faz piada sujas a todo momento, além de ser totalmente desinibida. O que não muda os questionamentos levantados quanto ao conceito de alma e como seria esse mundo cibernético.

Ambientado no ano de 2029, uma data não tão distante da nossa realidade atual, onde um neurochip criado tem a capacidade de se conectar com as fibras neurais, ampliando a velocidade da transmissão e processamento de dados.

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O que possibilita a criação de cérebros cibernéticos. É ai que a seção 9, uma unidade do governo que é especializada ao combate de crime tecnológicos e a Major Motoko entram. Eles precisam impedir que pessoas sejam hackeadas. É na perspectiva dos personagens dessa seção que somos levados a situações e questionamentos que vão muito além de uma pequena aventura.

Há situações em que você se pergunta se realmente estamos tão longe de ser absorvidos por completo pela tecnologia. Por exemplo: Na seção 9 somente um personagem não possui prótese ou implante, ou seja, ele é totalmente humano.  E seria isso uma vantagem ou desvantagem diante desse universo onde a tecnologia está presente?

Ghost in the Shell

Perguntas como essa acabam ficando no ar, deixando ao leitor interpretá-las como quiser, levando-nos a uma discussão filosófica quanto ao significa de ser humano em um mundo dominado pela tecnologia.

Quanto a edição, uma das coisas que me chamou a atenção nessa obra original foram as notas de rodapé, onde o autor explica algumas situações e elucida que não seriam possíveis aplicá-las no mundo real, mas que ficaram boas desenhadas. Eu achei isso uma sacada genial, porque é como se o autor conversasse contigo durante todo o mangá.

Por outro lado, recomendo a leitura dessas notas de rodapés somente após a conclusão de do mangá, porque ler a todas as notas enquanto você acompanha a história acaba tornando a leitura um pouco tediosa, mas isso é a minha opinião, faça como bem quiser e depois me diga como foi a experiência.

Ah, também preciso ressaltar que a fonte utilizada nos rodapés por vezes dificultam a leitura, talvez se fosse um pouco maior ou em arial – HAHAHA – . Claro, sei que essa escolhas foi do autor que supervisionou todo o processo de remasterização e as notas, mas não podia deixar de apontar porque minha vista sofreu com isso, mas também não é nada que comprometa a qualidade.

Ghost in the Shell

A arte de Shirow Masamune é incrível, o autor não perdeu a mão em nenhum momento durante todo o mangá. Por vezes eu apenas ficava olhando todos os detalhes do traço e cenário ao redor. E como um bom apreciador da violência explicita em mangás, fiquei extasiado com o quão visceral são as cenas de morte no mangá. Uma simples rajada de tiro arranca pedaços dos personagens, que são desenhadas sem qualquer tipo de censura – Nas páginas coloridas fica ainda mais bonito de se ver.

Eu me diverti muito com as situações das missões que o setor 9 precisa encarar, principalmente os vilões que Major Motoko precisa lidar. Eles possuem uma razão e suas histórias estão bem além das motivações simples, até porque o que constitui um personagem ser o vilão? As vezes é apenas o ângulo e posições em que estamos torna outros em vilões.

É muito bom ver as questões que são levantadas durante todo o mangá, mas não pense que a leitura é chata e entupida de filosofia, o autor faz bom o autor também faz bom uso dos alivio cômicos em diversos momentos, tornando a leitura leve e descontraída mesmo abordando temas complexos, o que é mostra a preocupação do autor em tornar a leitura acessível a todos sem exigir um conhecimento profundo do tema.

Ghost in the Shell

The Ghost in the Shell é um mangá muito melhor do que eu esperava, posso dizer que fiquei muito surpreso com as diferenças do anime e mangá. Essa edição certamente vale a pena ter na estante para se ler e reler varias vezes.

Um fato interessante é que se  você gosta de ficção, tenha certeza que vai identificar muitas, mas muitas coisas que já estiveram no cinema, como o clássico  Blade Runner – Caçador de Androide do gênio, Ridley Scott e  Matrix das irmãs Wachowski.

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Nesse caso, muitos dos conceitos e até mesmo situações criados por Shirow Masamune foram transportadas para Matrix. Então se vocês gostam de mangá e dessas obras cinematográficas da ficção, sem dúvida The Ghost in the Shell merece sua atenção.

Para situá-los melhor quanto a obra, recentemente o mangá ganhou como melhor edição estrangeira durante o 29º Troféu HQMix, considerado o Oscar dos quadrinhos e humor no Brasil, que ocorreu no mês de agosto.

Sem dúvida mais do que merecido, e se você ficaram interessados basta acessar a página da Editora JBC e garantir sua cópia. Não, eu não ganho comissão, mas uma obra como essa merece a atenção.

É isso, até a próxima quarta!

Criador e Editor-Chefe do Arquivos do Woo, é um eterno rabugento. Opta por investir seu tempo entre games, filmes, livros e sua família à perder tempo discutindo na internet.

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