Hoje é dia de ganhar presente do papai e da mamãe, então está é permitido arrombar a porta do quarto dos seus pais e cobrar presente as 05:00, mas tenha calma, ainda não saia da frente do computador, se acomode na cadeira e ouça a minha história, precisamente esta minha lembrança gamistícas.

Há um tempo atrás, eu escrevi sobre meu o meu primeiro videogame, na verdade foi o meu primeiro contato com o mundo dos games, pois o console pertencia ao meu tio mas eu me sentia um pouco dono dele.

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Claro, fiquei chateado com a partida do meu parceiro de finais de semana, o Master System era o único amigo que eu tinha e que não batia em mim para se aparecer por qualquer razão boba, ou me obrigava a comer peixe podre em frente as meninas da sala.

Não gosto de comer peixe até os dias de hoje!

Bem, depois de muito chorar e prender a respiração a ponto de me
assemelhar a uma bola azul, meu pai decidiu que era hora de adquirir nosso próprio videogame.

Uma das coisas que gosto no meu pai é essa coisa de ser ligado a novas tecnologias, e apesar do Atari não ser lá muito moderno, foi um dos primeiros games que ele pode chamar de “meu”.

A noite de jogatinas no Atari

Recordo o momento em que meu pai adentrara a sala com um Atari em mãos, ele parecia ter sido desenterrado, pobrezinho. Não me importei, logo tirei das mãos de meu papai e junto de meu irmão limpamos como se não houvesse amanhã, quer dizer, como se houvesse sim, queríamos jogar logo e antes do final de semana acabar.

Console limpo, instalado e com PAC-MAN rodando a todo vapor numa TV de tubo 14 polegadas radicais e com base laranja fluorescente (Para não a perdermos no escuro), mas não era o suficiente, queríamos mais, então nos dirigimos até uma vídeo locadora.

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Vídeo locadoras eram os programas favoritos da família dos anos 90, sinto
muito por você não ter vivenciado esse momento, ter nascido após a morte do VHS é algo bem triste mesmo.

Ah! Tá tudo bem, não precisa fazer esse bico, acontece, tudo que é bom
acaba, olha só o que a Steam esta… Vai ficar de cara feia? Então senta ali no canto, por favor! Humph!

Onde eu estava, Ah! Sim, vídeo locadoras, o programa familiar numero 1 nos anos noventa.

A noite de jogatinas no Atari
Oww saudadee!

Entrar em uma vídeo locadora era energizante, milhares de crianças
escolhendo seus cartuchos de Super Nintendo, Mega Drive, espiadas
na sala proibida (Você sabe de qual sala estou falando hehehe).

Então perguntei ao atendente “Cadê os cartuchos do Atari” – O cara
simplesmente fez uma cara do tipo “What?” e me voltou com uma caixa de sapatos recheadas de cartuchos. Não estavam em suas melhores condições e a expressão dele deixou claro que eu estava atrasado alguns anos na indústria de games.

Selecionei alguns títulos conhecidos, Enduro, Keystone Kapers, Pitfall e
River Raid e saímos daquele lugar na velocidade da luz.

Naquela mesma noite nos reunimos em frente à nossa TV full hd de 14 polegadas e atravessamos a madrugada jogando PitFall. Principalmente meu pai que se apossou dos controles, e minha mãe precisava intervir para tira-lo um pouco a todo momento.

Foi um daqueles momentos em minha vida que não desejava dormir, não
queria que aquele momento terminasse. Olhava para meus pais e percebia que eles não simplesmente compraram aquele videogame surrado só para calar a minha boca, mas sim, queriam fazer parte daquele momento em minha vida.

Nunca irei me esquecer do dia em que ganhamos o Atari do meu pai, nunca me esquecerei do dia que passamos jogando juntos em família.

A noite de jogatinas no Atari
Hoje tenho 28 anos, passamos por diversas desavenças, como qualquer outra família, mas sempre que olho para eles, percebo o quanto amo minha família e reconheço sua importância.

Agora ao invés de arrombar a porta do quarto dos seus pais feito lunático, abra vagarosamente, pule na cama, abrace-os forte e os agradeça por terem lembrado do seu dia, mesmo que o presente não tenha sido aquele PS4 que
você tanto queria.

Agradeça e diga o quanto os ama por tentar fazer da sua infância, uma das melhores lembranças da sua vida.

Author: Diogo Batista

Criador e Editor-Chefe do Arquivos do Woo, é um eterno rabugento. Opta por investir seu tempo entre games, filmes, livros e sua família à perder tempo discutindo na internet.