14 de setembro de 2017

DEATH NOTE DO NETFLIX | UM FILME AMARGO, MAS ASSISTÍVEL


Depois de ler milhares de criticas a cerca do Death Note do Netflix, além do relato de alguns otakus extremamente irritados, finalmente decidi encarar uma sessão do filme. Posso alegar que minhas expectativas estavam baixíssimas, o que não tornou a experiência tão ruim quanto muitos alegam. - Não que eu tenha achado o filme maravilhoso, mas faltou muito pouco para não ser um completo pedaço de merda.

É um filme que provavelmente funcionou para quem não conhece o mangá ou anime, mas causará ulceras em que conhece as obras originais e gosta delas.

Mas será que Death Note consegue ser tão ruim quanto foi Dragon Ball Evolution? Me acompanhem!

O Death Note do Netflix tem como protagonista Light Turner, um jovem nerd que sofre em silencio pela morte de sua mãe, uma vez que o assassino foi liberado por ter um pai influente. O jovem Light não consegue aceitar muito bem isso, mas não tem poderes pra punir, pelo menos até o dia em que sua vida é mudada totalmente ao encontrar o Death Note. Mas o que ele faz quando se dá conta que possui tal poder em mãos?

Me deu um baita trabalho conseguir esse frame antes da cabeça dele explodir
Ele escreve o nome do bully que batia livremente em todo mundo na escola... Eu não quero ser chato, mas ele e um amigo estavam batendo e empurrando uma garota dentro do campos em frente a salas. Cade os monitores e justiceiros sociais? Esse filme foi ambientado no anos 90? Não pode ser 2017, porque se fosse teria uma turminha chamando ele de fascista, estuprador e Uber, certeza.... É, depois disso, ele resolve matar o assassino da mãe, que tem uma morte digna dos filmes gore que tanto amo, alias, um dos únicos pontos positivos dessa filme são os efeitos práticos para as mortes. 

É sangue, miolos e vísceras sendo espalhados para todo o canto, uma pena que isso dure pouco.

Sentindo-se poderoso, o que Light faz em seguida? Ele simplesmente vai mostrar o Death Note para a garota que ele tá afim, Mia. Porque na cabeça dele isso é o mais lógico a se fazer, porque na cabeça dele as garotas adoram assassinos. É, se bem que Teddy Bund recebeu diversas cartas de mulheres e até chegou a se casar enquanto aguardava no corredor da morte. Não que isso agregue alguma coisa ao filme, mas é um fato interessante.

Bem, agora Light Turner, resolveu escolher o pseudônimo Kira, que vem do japonês, porque assim dificultaria qualquer rastreamento. A curiosidade fica pelo fato de que Kira não é apenas o Light, mas a união de Mia e Light. Há uma cena que me fez soltar gostosa gargalhadas, consiste nos dois dando uns amassos enquanto escolhem no notebook quem será o próximo cara mau a ser morto. Sério, eles tentaram passar um pouco de sadismo, mas não convenceu.


Agora que o casal se transformou em Kira, cabe a eles não serem pegos pelo maior detetive do mundo, L. Por sinal, o cara é um mito que ninguém dá a minima. O pai do Light fica surpreso, o resto nem se importa em saber que é o L. E sendo sincero, inicialmente o personagem parece bem interessante, só que ele é tão pessimamente mal desenvolvido que só faz você contar os minutos para ele ser morto. Só que o que é ruim só tende a piorar, você ainda é obrigado a ver o maior detetive do mundo surtando, chega a ser ridículo.

Como alguém que teve uma criação ao melhor estilo agente 47 perde a cabeça facilmente? Ele te vendem a ideia de que o maluco não perde a calma e consegue se manter centrado, mas ele faz totalmente o oposto.

Bem, agora vamos falar sobre a Mia, uma garota que aparece do nada, depois aparece como se fosse namorada de um jogador de futebol, em seguida depois do Light matar um cara aleatório na frente dela, o amor brota e eles correm para um beco para encaixar o lego. Não é brincadeira, to falando sério, o relacionamento dos dois é construído dessa maneira. 

Ela simplesmente acha normal um cara se esquartejado por um caminhão após um nerd escrever isso em um caderno. 

Só o fato do Light ter ido contar a ela que foi ele quem matou o bully, me pareceu uma  tremenda loucura. O cara é um "gênio", em que momento ele considerou isso uma boa ideia? Ah, mas você pode usar o argumento de que ambos possuem um senso de justiça distorcido e isso os uniu. OK, mas e se eu te disser que ela é quem acredita que policias deveriam ser mortos se isso for pra evitar a prisão, enquanto o Light é totalmente contra?

O Shingami Ryuuku que possui um visual bacana é outro personagem muito mal aproveitado, no máximo serviu para render alguns closes em maçãs. Ele é o cara que realiza as mortes após a descrição ser colocada no death note. Basicamente é a morte que ceifa as pessoas, tanto que em um caso Light diz para ELE escolher como as pessoas morreriam.

Sim, isso mesmo. Então pra que deixar o caderno com o Kira?


Por mais que o Death Note do Netflix faça um uso superficial de nomes e personagens do mangá, a cerne do filme está no poder do caderno. Não espere um debate de intelectos ou um questionamento do conceito de justiça. Temos aqui um filme de horror com um pouco de gore - As mortes rendem muito sangue e vísceras sendo espalhadas, mas só isso não consegue sustentar o todo.  

Mesmo com um final onde Light demonstra ser extremamente inteligente, porém, se você aplicar um pouco de logica a maneira como o personagem desenrolou toda a história, você perceberá que até as leis de espaço tempo foram quebradas com o caderno. Você ainda fica com aquele gosto amargo na boca. Você acha legal, acha, mas não convence.

Apesar de possuir vários problemas, não é difícil encontrar pessoas que tenham gostado do filme e até se surpreendido com o final. Um dos meus primos vendeu o filme apontando diversos pontos positivos, e foi ele uma das razões pela qual resolvi dar uma chance ao filme.

No final das contas filme não é tão ruim quanto Dragon Ball Evolution, alias, não acredito que qualquer outro filme da atualidade consiga ser tão ruim quanto o Dragon Ball Evolution, pois aquilo foi um aborto cinematográfico. Mas Death Note, mesmo com todos os problemas não é um filme tão ruim e odioso quanto vem sendo propagado. Claro, isso é uma coisa ligada diretamente ao gosto pessoal de cada um de nós. No caso aqui, se você o comparar diretamente a obra original, com toda a certeza você terá um filme hediondo, por outro lado é um filme sessão da tarde para o publico que não consome mangá e animes.

O que posso sugerir a todos é que se você gosta da obra original, não assista. Agora se você for mente aberta, então o assista sem expectativas. Não é um filme que melhorará com o tempo, mas dá pra distrair por umas duas horas e no dia seguinte você o esquecerá. Posso dizer que ele não é tão diferente da franquia de filmes Resident Evil, que possui um público fiel o bastante para dar um bom retorno de bilhetaria, e olha que eu odeio a franquia de filmes de RE.


Eu sei que muitos devem ter esperado mais um texto cheio de rage como todos estão fazendo por ai, mas achei desnecessário. Principalmente porque estamos vivendo uma época em que as pessoas são 8 ou 80 com tudo. O diretor do filme mesmo cancelou sua conta no twitter por causa de diversos ataques que passou a receber depois da estreia no Netflix. 

Não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece, em outra ocasião, uma roteirista da Bioware, Jennifer Hepler recebeu ataques por parte de alguns jogadores, devido a uma entrevista que havia cedido anos atrás, onde dizia não gostar das partes de ação da franquia de jogos Dragon Ages. Pra entenderem a situação, deixarei o artigo escrito por minha amiga Angela do Vão Jogar: Parabéns, Gamers!

É isso espero que aprendam que não é porque você discorda ou não gosta de algo, que isso lhe dá o direito de atacar diretamente alguém. E com relação ao filme, boa sorte para quem for assistir.

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