29 de abril de 2017

5 LIVROS QUE MARCARAM A MINHA INFÂNCIA


Ao longo dos meus quase 32 anos eu pude ler diversos livros, entre eles alguns que provavelmente não fizeram jus ao número de arvores derrubadas para que fossem impressos, e outros que ainda guardo com imenso carinho em minha memoria.

Hoje trarei a vocês alguns desses bons livros que marcaram a minha infância. E com relação a infância, estou me referindo dos 7 aos 17 anos. Tempo bom que brincava com meus hominhos e ainda parava para ler clássicos da literatura. Tenho que reconhecer, sabíamos ser criança naquela época.

Agora vamos ao primeiro livro



O Senhor das Moscas foi um livro que tive acesso graças a minha professora da quarta-série. Antes do término da aula, ela pedia que fossemos ao armário da sala e selecionássemos um livro. Não possuía o hábito de ler, gostava mais das revistinhas em quadrinho, porém, graças a essa professora tive contato com essa grande obra de William Golding.

Recordo que a capa foi uma das coisas que chamou a minha atenção em um primeiro momento. 

O livro conta a história de um grupo de crianças britânicas que estão sendo retirados de uma zona de guerra, mas tem seu avião atingido por uma explosão e terminam encalhados em uma remota ilha deserta, sem a supervisão de nenhum adulto. Inicialmente a coisa começa bem, pois Ralph, o protagonista, com a ajuda de Piggy reúne todas as crianças que estavam espalhadas pela ilha. Formam uma sociedade de crianças e criam meios de manter uma fogueira acesa, para que algum avião pudesse ver e regasta-los, além de orientá-los a criar barracas para se abrigarem. Mas nesse mesmo grupo há Jack, um moleque que pertencia a outra classe do mesmo avião. Ele praticamente lidera seu grupo, e ao unir-se com o grupo de Ralph, começam a brigar por liderança. Só que Ralph deixa que ele continue liderando sua classe. Logo eles se dividem entre o grupo de  caçadores e grupo que cuida do acampamento. E aos poucos o medo do desconhecido e a briga pela liderança começa a ruir todos os traços de sociedade, e seguir por um caminho sem volta até o ponto de crianças começarem a matar uns aos outros.

Há muito o que falar a respeito dessa obra magnifica, mas isso deixaria a postagem enorme, acreditem.

Eu lembro que fiquei bem chocado ao terminar esse livro, não possuía maturidade na época, mas anos depois ao reler pude compreender a mensagem de William Golding. Ele conseguiu nos mostrar com esse livro que a crueldade faz parte de todos nós, uma criança pode matar facilmente, depende apenas das circunstancias e a falta de instrução de um adulto.


A mesma professora que permitiu que eu tivesse acesso acesso ao Senhor das Moscas, também me proporcionou um encontro com o grande Ernest Hemingway. E o incrível foi que peguei esse livro simplesmente por pegar, não estava afim de ler, e como a professora insistiu, lá foi eu escolher o livro mais fino.

O livro nos apresenta o Santiago, um velho pescador que vem passando por uma maré de azar em suas pescarias. Precisamente está a 84 dias sem conseguir pegar nada, nem mesmo botas velhas. Só que na manhã do 85 dia, encorajado por um amigo, o velho Santiago sai em alto mar confiante de que irá quebrar esse azar. Por sorte, ele se depara com um peixe enorme e tem inicio uma batalha entre peixe e pescador. Santiago é arrastado para alto mar, pois esta decidido a não voltar com as mãos vazias.

Eu devorei esse livro em dois dias, não conseguia parar de ler. Quando o levei de volta a escola, estava eufórico para comentar com a professora sobre a leitura. Lembro que a professora sorriu enquanto eu contava cada detalhe sobre Santiago e o quão triste fiquei ao chegar no final de sua jornada.

É um livro que realmente mexeu comigo em uma tenra idade. Santiago me mostrou que se você tem convicção em algo, então as vezes é preciso levar sua luta até as últimas consequências. Pode não ser fácil, mas de alguma maneira você será recompensado.


Depois de  ler outros livros menores, decidi encarar esse livro grosso que ficava no fundo armário da sala de aula. Sim, naquele tempo ainda não havia um lugar destinado  a biblioteca na escola, então o que tínhamos de livros ficava em um armário dentro da sala.

Suspeito que eles pertenciam a professora, só que a minha memória agora não está ajudando hoje.

O Xangô de Baker Street coloca Sherlock Holmes no Brasil, precisamente na busca de um serial killer brasileiro que comete assassinatos ao melhor estilo Jack O Estripador. Repleto de suspense, ele ainda emprega muito humor, o que talvez seja um dos maiores trunfos desse livro, apesar do Jô Soares não errar a mão ao criar uma atmosfera sombria. Como também ele consegue ser bem explicito ao descrever cenários da época ou como as vitimas foram retalhadas.

É realmente muito divertido tentar descobrir quem é o assassino e o porque das cordas do violino serem deixadas no corpo de suas vitimas. Mas é aquele livro que após ler uma vez ele perde a magia, mas te marca.


Eu li pela primeira vez O Diário de Frankeinstein pouco tempo depois de criar uma ficha na biblioteca. Estava ingressando no ensino médio naquela época e cheguei a levá-lo algumas vezes em sala de aula para ficar lendo. É um excelente livro e que me deixou por um tempo perturbado como a maneira como é descrito o processo de criação do "humano perfeito".

Lembro que o li por duas vezes, cheguei a cogitar comprá-lo, mas as condições financeiras não eram nada boas na época.

O livro tenta se passar como o verdadeiro diário do Dr. Victor Frankeinstein, então ele possui uma narrativa em primeira pessoa. O que acaba levando a uma imersão muito grande, e os rascunhos de procedimentos contribuem bastante. E como na época eu era bem ignorante e religioso, chegue a ter pesadelos.

A ideia de uma criatura composta por parte de outros seres humanos e que voltou a vida era assustadora. O prefácio também ajudava bastante, pois dizia que era uma tradução do diário encontrado no castelo e tal.

Oras, o livro é ótimo. Nunca esqueci desse sentimento de medo ao terminar de ler. Recomendo para todos.


Encerro essa postagem abordando um dos primeiros livros que li: "Uxa: Ora fada, ora Bruxa", da Sylvia Orthof e com desenhos de Tato - Seja lá quem for.

Eu sei que a cartilha Caminho Suave marcou a infância de muita gente, assim como a minha, só que  Uxa: Ora fada, ora Bruxa, foi um dos primeiros livros li ainda na primeira série. Pô, li ele sozinho na frente da sala toda, me senti orgulhoso pelo feito. Recordo de perguntar a professora o significado de chouriço. Isso porque em determinado momento da história a fada paga um taxista com chouriço.

É, Uxa não é uma boa fada, pobre taxista.

Quantas lembranças boas essa capa me trás a memoria. É como se pudesse reviver um pouco daqueles momentos mais simples que só a infância pode proporcionar. A escola era terrível, apanhava horrores no intervalo por ser o gordo da turma. Em compensação a leitura me levou a lugares que a vida real jamais puderá me levar.

É isso, esses são os livros que me marcaram, diga nos comentários quais os livros que marcaram sua infância.

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